Gabriel Damásio
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Uma ação marcada para acontecer hoje e que seria a mais ousada já praticada contra o sistema penitenciário sergipano foi abortada a tempo pelas polícias Civil e Militar: o resgate de dois presos alagoanos que permanecem detidos no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Ontem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a prisão de nove pessoas envolvidas na trama, incluindo as companheiras dos detentos que seriam resgatados nesta manhã, quando seriam escoltados até uma audiência no Fórum da Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju).
Os alvos do resgate seriam Cícero Ferreira dos Santos, 38 anos, acusado por uma chacina ocorrida em 27 de outubro de 2009 no povoado Araticum, em Itaporanga (Sul), e Juliano Viana da Silva, 30, que responde por assaltos contra postos de combustíveis. Segundo a polícia, todo o plano foi articulado pelas companheiras dos presos, Maria Betânia do Nascimento e Manoela da Conceição Nunes, as quais contrataram sete homens para participar do resgate: os alagoanos Anderson Vanderley Gomes, Cícero dos Santos Filho, José Wilson dos Santos, Genilson dos Santos Vieira e Maxwell Firmino da Silva, além de dois adolescentes de 16 e 17 anos.
O plano foi desfeito na manhã de terça-feira, quando soldados da Companhia de Policiamento de Turismo (CPTur) prenderam sete pessoas que estavam em atitude suspeita junto a um caixa eletrônico na Orla de Atalaia. Na abordagem, os suspeitos não apresentaram documentos e, levados à Delegacia Especial de Turismo (Detur), caíram em contradição ao tentar explicar o que faziam ali. Mais desconfiados, os PMs decidiram entregar os suspeitos ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), cujas equipes conseguiram mais informações sobre o plano frustrado.
"No final da tarde, identificamos os outros dois integrantes da quadrilha e, no início da noite, localizamos a casa onde a quadrilha guardava as armas, visto que eles estavam hospedados numa pousada próxima à Rodoviária e as armas foram colocadas num local próximo ao presídio, no qual a quadrilha montou base para resgatar os internos do Compajaf", relatou o delegado Flávio Albuquerque, do Cope, sobre as buscas realizadas por agentes da unidade, com apoio do Comando de Operações Especiais (COE).
A busca resultou na prisão dos outros dois acusados e do material que seria usado no resgate: duas pistolas calibre 40, uma pistola 9 milímetros, dois revólveres calibre 38, farta munição de diversos calibres, um capuz, além de um Fiat Uno cinza com placa NMJ-6327 e um Toyota Corola preto com placa KKP-4697, o qual apresentou sinais de adulteração e terá sua origem investigada.
De acordo com Flávio Albuquerque, os integrantes da quadrilha já vieram outras vezes a Aracaju e, a partir das visitas de Betânia e Manoela ao Compajaf, prepararam outras tentativas de resgate, mas todas deram errado. Foi quando os outros acusados foram contratados em Alagoas, ao preço de R$ 5 mil. Eles pretendiam libertar Cícero e Juliano de três formas. A primeira, considerada a mais provável, seria interceptando o carro que os conduziria ao fórum para uma audiência – ou retirá-los do próprio fórum.
A segunda forma seria dando cobertura à saída dos presos do próprio presídio, o que chegou a ser tentado na semana passada. "Eles dispararam alguns tiros nas proximidades do presídio, no último dia 19 de abril, para alertar os dois internos que se eles conseguissem serrar as grades e sair do presídio eles teriam todo suporte externo da quadrilha", explicou Flávio, acrescentando que a quadrilha pretendia fazer mais uma tentativa hoje. A hipótese restante seria um levantamento para detectar fragilidades na segurança da penitenciária e locais mais sensíveis a uma invasão armada dos criminosos.
Os dois detentos que seriam resgatados são considerados de alta periculosidade. Conforme o delegado do Cope, Cícero Ferreira já era considerado um dos maiores e mais procurados pistoleiros de Alagoas, tendo sido contratado para matar quatro homens em uma fazenda de Itaporanga. Ele foi preso um mês depois do crime na cidade de Guarulhos (SP) com o mandante do crime, José Everaldo e Silva, então companheiro de Betânia e que morreu meses depois, de causas naturais. O crime, segundo a polícia, foi motivado por uma dívida de R$ 500 mil.


