Famílias de sem teto continuam ocupando praça no 17 de Março

Sem abrigo adequado e assistência social, cerca de 350 famílias continuam ocupando de forma irregular um canteiro de obra que seria utilizado pela Prefeitura de Aracaju para a construção de uma praça no bairro17 de Março. Além de problemas constantemente registrados pelos moradores, como falta de saneamento básico, segurança e transporte público, a Associação de Moradores da Comunidade Novo Amanhecer critica a administração municipal devido a um possível atraso no pagamento do auxílio moradia. Ao todo, aproximadamente 600 pessoas residem no local e temem que uma liminar judicial solicitando a saída das famílias seja oficializada. A perspectiva é que uma nova reintegração de posse possa ser realizada no próximo dia 4 de julho.

Erguidos com pedaços de madeira e lona, os barracos possuem em média três metros quadrados e em decorrência do acúmulo de entulho, a proliferação de ratazanas, cobras e mosquitos da dengue é cada vez mais constante. De acordo com Maria da Glória, representante da associação, o prefeito João Alves Filho prometeu atenção às famílias caso fosse eleito, mas até o momento não cumpriu com o acordo firmado junto às famílias. "Primeiro eles obrigaram a gente para sair das casas, agora já estamos sabendo que a medida é nos expulsar daqui também. Não vamos sair, vamos resistir porque não temos para onde ir", afirmou.

Sem saúde pública eficiente na região, os moradores exigem mais apoio por parte dos poderes públicos. Ainda segundo declarações da representante dos moradores, secretários e diretores de órgãos públicos só comparecem ao local em dias de análise territorial, ou para cumprir ordens de reintegração do espaço público. "Essa história de que estão trabalhando para melhorar a nossa vida é tudo mentira. Não temos postos de saúde de qualidade, pavimentação, muito menos segurança. Ao pé da letra, todas essas pessoas estão entregues às baratas", lamentou Maria da Glória.

Acampados há três meses na ‘praça’, os ocupantes também não possuem energia elétrica e água encanada. Morando em um barraco acompanhado da esposa e de mais dois filhos, o catador de latinhas Luís Aberto dos Santos se mostra preocupado com o estado de saúde do filho de apenas quatro anos. Com poucas condições financeiras, ele aproveitou a entrevista concedida ao JORNAL DO DIA para acusar a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de uma possível falta de medicamento em postos de saúde. "Levei meu pequeno em um posto e lá o médico nem examinou direito. Passou um medicamento contra febre e dor no corpo, e soro. O soro foi dado lá mesmo, mas o remédio uma atendente disse que estava em falta e deveria estar chegando até a próxima quarta, 12", disse.

Resposta – A secretária municipal de Defesa Social e Cidadania, Georlize Teles, informou através de nota oficial que a ação para retirar as famílias só será articulada pela prefeitura depois que a Polícia Militar apresentar o plano de ação para cumprir a sentença. "A prefeitura já conquistou liminar favorável a desocupação em ação de reintegração de posse movida pela Procuradoria Geral do Município".

O defensor público do Núcleo de Bairros da Defensoria Pública do Estado de Sergipe, Alfredo Carlos Nikolaus, informou que a Defensoria Pública vai prestar assistência tanto na parte psicossocial quanto jurídica com pedido de concessão de auxílio moradia às famílias retiradas dos imóveis do Bairro 17 de Março por força de uma Liminar de Ação de Reintegração de Posse, movida pelo município de Aracaju.
Sobre a falta de remédio, a SMS informou que até o final da tarde de ontem não foi registrada nenhuma denúncia quanto a falta de medicamento na região, mas que vai analisar o fato, e caso seja procedente, a prefeitura vai buscar soluções imediatas.

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