Milton Alves Júnior
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No último mês de maio foi registrado em todos os municípios sergipanos um aumento na procura pela profissão de motoboy ou mototaxista. Após regularização da resolução 356/2010 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a profissão que antes era irregular em alguns municípios do estado, a exemplo da capital Aracaju, passou a ser legalizada, mas para que o cidadão possa dar início aos trabalhos tem por obrigatoriedade passar por um curso profissionalizante e adquirir equipamentos de segurança. Segundo dados do sindicato da categoria, presume-se que hoje em Sergipe existam aproximadamente 2500 motoboys / taxistas.
Um dos motivos para esse aumento pode estar ligado às inúmeras facilidades de pagamento encontradas pelos brasileiros quando decidem adquirir uma moto. Além de se tratar de uma profissão lucrativa e de amplo mercado de trabalho, a carga horária flexível permite que o profissional possa trabalhar em múltiplas funções. Segundo o presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Irinaldo Oliveira, todos os atos públicos promovidos pelos profissionais nos últimos dez anos, agora valem a pena.
Para o sindicalista, desde a regularização dessa resolução a meta é exigir respeito financeiro junto ao setor patronal. "Felizmente, depois de muitos anos conseguimos que o Governo Federal regularizasse nossa profissão. Agora, nos sentimos na obrigação em nos adequar às exigências e estamos dispostos a debater outras modificações que melhorem o serviço, porém, exigimos que as empresas respeitem o motoboy como profissional, e não mais como amador", disse.
Ainda segundo informações do sindicato, para atender aos mais de 600 mil habitantes em Aracaju a cidade conta com 36 empresas regularizadas que realizam o serviço de mototáxi. Entre os equipamentos de segurança exigidos estão: colete com faixas refletoras, antena contra linha de pipa e protetor de perna e motor.
Apesar dos avanços, alguns possíveis problemas persistem em ocorrer, principalmente na Grande Aracaju. Conforme declarações de Irinaldo, muitos agentes de trânsito, sejam eles da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU), ou do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SE), perseguem os condutores. "São problemas chatos do passado, quando não éramos regularizados e que ainda acontecem. Não são muitos os casos, mas existem. Estamos fazendo a nossa parte que é nos adequar, esperamos que os agentes entendam isso e nos deixem trabalhar em paz", pontuou.
Por determinação do Contran, os profissionais devem ainda fazer o curso de capacitação específico para o exercício da profissão.
Fiscalização – Em entrevista exclusiva concedida ao JORNAL DO DIA, o diretor-presidente do Detran, Bosco Costa, disse não ter conhecimento de abuso por parte dos agentes de fiscalização. Por respeito a legislação brasileira, o gestor garantiu que as blitze irão continuar na tentativa de evitar que irregularidades continuem ocorrendo. "Concordo com o posicionamento do Irinaldo quando ele diz que avanços foram alcançados, mas o que nos surpreende é a quantidade de pessoas que ainda tentam burlar as exigências. Números positivos já foram registrados e o objetivo é avançar positivamente cada vez mais".
Quando o presidente se referiu a avanços, ele quis comemorar a redução proporcional no número de acidentes envolvendo motociclistas após a intensificação da Lei 11705 que alterou, basicamente, os artigos 165, 276 e 277 do Código de Trânsito Brasileiro, popularmente conhecida como a Lei Seca. "Os brasileiros respeitam quando sentem no bolso. Vamos intensificar nossas blitze, mas é bom deixar claro que só arrisca beber e dirigir quem quer. Antes de montar nossas blitze, agentes da Companhia de Policiamento de Trânsito (CPTran) passam com um banner enorme indicando o início das fiscalizações", declarou Bosco.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de mortes em acidentes de trânsito com motos no Brasil aumentou 263,5% em 10 anos. Esse ano em Sergipe, se contabilizar do início de janeiro até a primeira semana de junho, foram contabilizados 1081. Isso equivale a uma média de 179,83 por mês. "Uma de nossas metas, e que por sinal já está em pleno desenvolvimento é a fiscalização no interior do estado. Sabe-se que muitas pessoas deixaram a utilização do animal como meio de transporte para a aquisição de uma motocicleta, principalmente as com 50 cilindradas. É natural o número de acidentes em 2013 seja maior que 2011, temos mais pessoas em posse de um automóvel, mas proporcionalmente os acidentes estão reduzindo".


