O deputado federal Mendonça Prado (DEM) se transformou numa das vozes mais duras contra a tentativa do senador Eduardo Amorim (PSC) em obter o apoio do prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM) à sua candidatura ao governo do Estado. Mendonça defende o lançamento da candidatura de João ao governo, mas diz que se isso não for possível o partido vai buscar o melhor caminho.
Ele tem restrições ao nome do senador Eduardo Amorim (PSC), preferido por muitos integrantes do partido. "Esse senador é um péssimo político e vive muito mal acompanhado", destaca.
Jornal do Dia – Deputado, o DEM foi um dos partidos que mais perdeu quadros nos últimos anos. Qual será o foco do partido nas próximas eleições?
Mendonça Prado – Vamos tentar fazer o maior número de deputados federais possível. Afinal de contas, é a bancada que o partido político tem na Câmara dos Deputados que serve como base de cálculo para aumentar o tempo de televisão, estrutura partidária e a força para aprovação de projetos. Uma composição maior na Câmara nos permitirá propagar com maior eficiência a nossa opinião sobre os temas de interesse do povo brasileiro.
JD – A tradicional aliança com o PSDB será mantida? Há chances de apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB?
MD – O partido ainda não deliberou sobre a eleição presidencial. Temos hoje um grupo que defende a manutenção da aliança com o PSDB, e outro que cogita o apoio da nossa sigla ao PSB. Ainda há uma linha de pensamento que sugere a indicação de um Democrata para disputar a eleição. Portanto, não tem nada definido.
JD – Em Sergipe, apesar da vitória do prefeito João Alves Filho, em Aracaju, o partido também vem encolhendo. A que o senhor atribui esse processo?
MD – É preciso observar que o Democratas administra, atualmente, cidades que somadas têm a maioria dos habitantes, quando comparadas às que são governadas pelas outras siglas. Portanto, o Democratas já é maior que os outros partidos em Sergipe. Mas, levando em consideração a quantidade de prefeitos, eu digo que, infelizmente, no Brasil um partido cresce ou diminui de acordo com a perspectiva de Poder. Nos últimos anos, em função da saída de João Alves do governo e a ascensão de siglas antagonistas, outras agremiações partidárias se desenvolveram com base em expectativas. O imaginário político passou a arquitetar novas composições, novos nomes, algo muito diferente e afastado do nosso partido. Contudo, com o passar do tempo essas esperanças não foram correspondidas, e o desejo do povo passou a ser o de reavivar o que tinha anteriormente. Por essa razão, não tenho dúvidas de que o Democratas voltará a crescer em números de vereadores, prefeitos e deputados no estado.
JD – O prefeito João Alves poderá mesmo disputar a eleição para governador? Caso isso não aconteça, qual será o caminho do DEM?
MD – João Alves é o primeiro colocado em todas as pesquisas. Portanto, a reflexão sobre uma eventual candidatura dele não significa um desejo pessoal ou uma estratégia partidária. Essa ideia na verdade sugere uma candidatura competitiva para uma disputa importantíssima. Caso isso não ocorra, vamos pensar em outras possibilidades.
JD – O atual vice-governador Jackson Barreto, do PMDB, vem se apresentando como candidato a governador pelo bloco governista. Há chance de o seu partido acompanhar essa candidatura?
MD – O Democratas quer ter candidato próprio ao governo do estado em 2014. Esse é o nosso pensamento e estrategicamente para o partido voltar a crescer é a decisão mais acertada. Por isso, eu penso o tempo inteiro na candidatura do prefeito João Alves para o governo. Contudo, se o partido não apresentar a candidatura dele e discutir apoio a uma outra sigla, devemos levar em conta todos os aspectos. Os nomes que se apresentam hoje como possíveis candidatos ao governo são: Jackson Barreto, do PMDB, e Eduardo Amorim, do PSC. Os dois integraram um palanque contrário ao nosso em 2010. Um foi o candidato a senador de Déda, e outro candidato a vice-governador de Déda. Desse modo, os dois estão em pé de igualdade, e se alguém cogitar a aliança com o PSC, não há porque não cogitar também uma aliança com o PMDB. Ademais, os dois integram a base de apoio do governo de Dilma, o que confirma ainda mais que não há diferença entre os dois, no que se refere às relações políticas com o nosso partido.
JD – A senadora Maria do Carmo pretende disputar a reeleição em 2014?
MD – Ela é, indiscutivelmente, uma das lideranças mais carismáticas e com maior densidade eleitoral do estado. Portanto, vejo que há uma grande possibilidade.
JD – O senhor disputará a reeleição ou tentará novo cargo nas eleições do próximo ano?
MD – Eu fico feliz quando mencionam o meu nome como capaz de disputar outros cargos. Mas, eu tenho os meus pés no chão e não tenho essa intensão. Eu me considero um político bem-sucedido e contemplado com o mandato que o povo me confiou. Portanto, dificilmente alterarei o meu objetivo que é o de disputar a reeleição.
JD – Setores do seu partido não escondem simpatia pela candidatura do senador Eduardo Amorim (PSC). O senhor admite essa possibilidade?
MD – Essas preferências diversificadas são constatadas em todos os partidos políticos. Em relação ao senador eu sei que existe, vejo como natural, mas divirjo. Isso porque defendo a candidatura de João Alves para o governo e acho que esse deveria ser o objetivo de todos os Democratas. Além disso, acho esse senador um péssimo político e muito mal acompanhado.
JD – O que faz o senhor ter tantas restrições a um eventual apoio a Amorim?
MD – Os métodos utilizados por eles na atividade política são prejudiciais ao estado. Não sou ingênuo para acreditar em perfeição, mas acho que o nosso estado não pode se submeter a deformações.
JD – Na semana passada, durante um debate sobre a decisão do prefeito João Alves em criar uma lei que autoriza a entrega da saúde municipal a OS, o senhor fez duras críticas ao ex-secretário da Saúde, deputado federal Rogério Carvalho (PT). Qual a saída para a área de saúde? A OS é uma solução?
MD – As organizações sociais serão responsáveis pela gerência de duas unidades de saúde apenas: a do conjunto Augusto Franco e a da Avenida Maranhão. Trata-se de um modelo de gestão eficiente que tem dado certo na maioria dos lugares onde foi implantada. A situação da saúde hoje é caótica em Aracaju. Precisamos de agilidade para executar um projeto que visa atender a população sofrida dos bairros da cidade. Para tanto, é imprescindível contar com instrumentos legais que permitam a contratação de pessoas físicas e jurídicas, para que os profissionais de saúde possam requisitar exames e realizar o tratamento dos pacientes sem nenhum obstáculo. Hoje, as ações são realizadas sob a égide de normas que atendem as pessoas jurídicas de direito público. Entretanto, está consagrado no nosso sistema jurídico, que também é possível adotar os procedimentos que atendem as pessoas jurídicas de direito privado. Isto permite maior rapidez para a consecução dos objetivos. Sei que esses conceitos geram discussões e elas devem ser realizadas, mas não por quem tentou outros métodos e foi malsucedido. Não é hora de fazer política miúda, é hora de buscar a satisfação da população.
As organizações sociais terão as condições legais para preencher as lacunas que impedem a qualidade dos serviços. Além disso, preservarão os direitos e garantias dos servidores públicos. Por fim, diferente das fundações, as organizações sociais não comprometem o patrimônio público, e ainda podem ser afastadas se não cumprirem as exigências contratuais. Isso tudo representa uma segurança para a administração pública.


