Moradores do Santos Dumont protestam

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Moradores do loteamento Moema Mary, bairro Santos Dumont, em Aracaju, voltaram a realizar protestos e interditar ruas da comunidade em decorrência de uma possível falta de políticas públicas que possam beneficiar as famílias. Na manhã de ontem cerca de 40 pessoas espalharam pneus e móveis na avenida Euclides Figueiredo e incendiaram os objetos ao ponto de provocar muita fumaça e interditar os trabalhos no Posto de Saúde Carlos Melo. Entre as principais queixas dos moradores, está a falta de segurança, transporte coletivo de qualidade, serviço de pavimentação e urbanismo, além de precariedade do sistema de saúde e educação. Durante o ato público, o

Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe também foi criticado.
Indignado com a situação, o pedreiro João Pedro dos Santos disse que há mais de oito meses nenhuma melhoria é promovida no local. Segundo ele, o último serviço promovido na região foi a manutenção da rede elétrica por parte da Energisa, empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica em toda a Grande Aracaju. "Engraçado como aqui o governo instala tubulação de água e postes de iluminação, mas a prefeitura não faz o favor de repaginar nossa comunidade. Entulho pra tudo que é canto e raras são as vezes que algum gari vem limpar as ruas. Isso só acontece no período eleitoral e perto do Natal", disse.

Conforme informado pela Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), devido as famílias estarem residindo em um local indevido e de plena preservação ambiental, nenhuma obra de pavimentação pode ser realizada sem a devida autorização dos órgãos competentes. Ainda segundo a Emurb, empresas imobiliárias não credenciadas estão comercializando lotes de forma aleatória e sem a devida aprovação do órgão. Essa resposta contribuiu para deixar os manifestantes ainda mais intrigados com o problema. "Chega ser engraçado isso. Conta de água, energia e IPTU chegam todos os meses e anos para a gente pagar. Melhoria que é bom não acontece. Essa cidade está cada vez mais injusta", afirmou a cabeleireira Verônica Vieira.

Por mais de seis horas, os pacientes que tinham marcado consulta médica na unidade de saúde ficaram sem a devida assistência médica. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o cancelamento das atividades se deu pela ausência de profissionais e pela onda de fumaça que saia dos pneus. Há 80 dias aguardando por um atendimento, Maria Lúcia do Rosário, moradora da região, aprovou a conduta dos manifestantes e criticou a postura dos médicos, enfermeiros e atendentes do posto. "Até parece que a ausência deles foi apenas hoje por causa da manifestação. Muito pelo contrário, a maioria aproveitou a situação para não trabalhar. Esse sofrimento é constante, não é pra menos que estou há mais de dois meses aguardando".

Na Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual (MPE), circula uma Ação Civil Pública que visa analisar as reais condições jurídicas para autorizar a realização de algum tipo de qualificação da área. Apesar desse processo permanecer em andamento, os moradores dizem que a ACP é tramitada de forma ‘lenta’.
"Entendemos que a manifestação atrapalhou um pouco a vida de alguns motoristas, mas se não fosse assim, nunca iremos conseguir melhorar nossa comunidade", disse Wellington Cruz, presidente da Associação de Moradores do Loteamento Moema Mary. Dando sequência às reivindicações por melhorias, a perspectiva é que um novo ato seja realizado até o próximo dia 15. Para evitar contratempos na organização da manifestação, a data, local e horário só devem ser apresentados faltando um dia para o início da mobilização.

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