Aparelho de radioterapia volta a funcionar

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na tarde de ontem voltou a funcionar após 28 dias de interrupção o setor de radioterapia do Hospital de Cirurgia, em Aracaju. Utilizadas diariamente para o tratamento de pacientes com câncer, as duas máquinas conhecidas por acelerador linear funcionam com sistema tridimensional, mas devido a vasta demanda acabam quebrando com frequência e interrompendo o tratamento de dezenas de pessoas que necessitam do atendimento repassado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, o Estado de Sergipe disponibiliza três aparelhos, sendo dois no Cirurgia e o terceiro no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
De acordo com a aposentada Verônica Lopes dos Santos, nos últimos cinco meses o mesmo aparelho já foi consertado três vezes. Para ela, quando não existe tratamento no HC, nem adianta buscar assistência hospitalar no Huse. "A fila é grande e infelizmente o estado não disponibiliza novas máquinas. Eu fui direcionada a passar por 33 sessões e nesse tempo que estou sendo atendida aqui esse mesmo aparelho já ficou parado oito dias, depois mais dois, e agora quase 30. Esperamos que alguma melhoria seja feita pra evitar que ele quebre novamente", disse. Conforme dados do Ministério Público Estadual (MPE), atualmente existe uma fila de espera com aproximadamente 230 pacientes.
Ciente do problema, o diretor operacional da FHS, Wagner Andrade, disse que a perspectiva é que os aparelhos quebrem com maior frequência todas as vezes que o número de pacientes aumente. "Quando a gente tem uma fila muito grande, a gente tem uma carga de trabalho maior dessas máquinas, consequentemente a quebra é esperada em mais vezes. As máquinas, tanto do Cirurgia como as do Huse trabalham acima do limite recomendado para elas", afirmou. Conforme informações apresentadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), a perspectiva é que o problema das filas seja devidamente resolvido em 2014 quando o Governo do Estado garante adquirir duas novas máquinas.
"Enquanto isso não ocorre a gente fica aqui esperando dias melhores. Felizmente, a máquina voltou a funcionar e os paciente, assim como eu, podem retomar ao tratamento. Até quando, eu não sei. Confio na força de vontade do governo, espero que essa promessa seja cumprida", disse Rochelle Baptista, que enfrenta um tratamento de câncer de mama. Para desafogar a fila de espera em Sergipe, a direção do HC deu início a um processo de licitação para aquisição de novo aparelho linear, de ressonância magnética e tomógrafo. A perspectiva é que com a chegada desses novos aparelhos, o número de assistências aumente entre 60 a 120 atendimentos por mês.

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