Bancos fecham no primeiro dia de greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Servidores bancários em Sergipe deram início na manhã de ontem a paralisação nacional da categoria com o objetivo de reivindicar junto aos banqueiros um reajuste salarial de 5%, participação nos lucros e arrecadações, novos concursos públicos para que seja possível a ampliação do quadro de funcionários e melhores condições de trabalho. Por tempo indeterminado, os funcionários permanecem de braços cruzados e segundo informações do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb), na maioria das agências bancárias apenas os serviços de autoatendimento estão em pleno funcionamento. De acordo com dados do Comando de Greve da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), das 27 unidades federativas do Brasil, 23 aderiram à paralisação.
De acordo com José Souza, presidente do Seeb, há mais de dois meses os servidores buscam entrar em acordo com o setor patronal, mas até à última segunda-feira, 16, nenhum avanço foi conquistado. Insatisfeitos com a falta de diálogo, uma assembleia extraordinária foi promovida na terça-feira, 17, e por unanimidade os bancários decidiram aderir à greve. "Primeiro teve uma assembleia onde apresentamos a proposta de uma possível greve, e essa semana fizemos outra que culminou na deflagração da greve. Desde cedo estamos vistoriando todas as agências no estado para conferir se realmente nossos companheiros estão sem trabalhar e intensificando a mobilização", disse. Sem atendimento, muitos clientes criticaram a postura administrativa por parte dos banqueiros.
Ciente das reclamações, os sindicalistas ressaltaram a necessidade dos clientes apoiarem a campanha salarial dos servidores. Ainda de acordo com Souza, caso os pleitos sejam devidamente atendidos, benefícios serão estendidos para os populares. "É sempre importante ressaltar que além do reajuste salarial, também pedimos a contratação de mais funcionários justamente para que possamos atender os clientes de forma mais rápida. Precisamos de melhores condições de trabalho para que as pessoas demorem menos dentro das agências e nossos colegas não sintam-se sobrecarregados", afirmou.
A fim de esquematizar o andamento da paralisação e a adesão de novos funcionários que atuam no interior do estado, na tarde de ontem uma nova assembleia foi realizada na sede do Sindicato dos Bancários. Até o momento, 90% da categoria aderiu a paralisação.
Para o enfermeiro Diego Mendes, é necessário que os donos de bancos entrem em negociação com os respectivos funcionários, e a justiça sergipana, em especial, comece a fiscalizar todas as agências bancárias que não cumprem a Lei dos 15 minutos. Segundo ele, todo final de mês as pessoas passam mais de 45 minutos aguardando atendimento. "Chega ser uma falta de respeito com os clientes, mas não existe fiscalização aqui e ninguém faz a lei valer. Espero que essa greve ao menos registre algum avanço em um futuro próximo".

Correios – Paralela à greve dos bancários, servidores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos também decretaram greve e seguem de braços cruzados por tempo indeterminado. Conforme determinação da Constituição Federal, 30% dos profissionais permanecem trabalhando em esquema de rodízio para que os serviços da empresa não sejam totalmente paralisados. O sindicato da categoria em Sergipe reivindica reposição salarial de 15%, vale alimentação no valor de R$ 32, melhores condições de trabalho e a contratação de 30 mil funcionários em todo o país. Em contrapartida, a direção geral dos Correios alegou falta de condições em atender a reivindicação da categoria e ofereceu um reajuste linear de 8%; e 6,27% no tíquete alimentação e auxílio creche.
"Nós só decidimos parar por falta de valorização aos profissionais que diariamente se esforçam muito para honrar a farda que vestem. Necessitamos da contratação imediata por meio de concurso porque hoje em dia temos um monte de mão de obra terceirizada. Nós estamos encaminhando para Brasília a linearidade de R$ 200, isso é uma proposta da regional que vai ser ventilada em todo Brasil", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Correios e Telégrafos em Sergipe (Sintect), Sérgio Lima.
Apesar da paralisação, a Assessoria de Comunicação dos Correios garantiu que o serviço não foi prejudicado e segue em ritmo normal. Na próxima semana uma nova assembleia será realizada para analisar os possíveis avanços.

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