O agricultor Jobson Tavares da Silva, o "Jobinho" suspeito de ser o responsável pelo bombom envenenado que causou a morte da estudante Daiane Conceição dos Santos, 21, se apresentou ontem de manhã na Delegacia de Polícia de Carira (Agreste) e prestou depoimento, acompanhado por um advogado. O acusado negou ter sido o autor do crime e também negou ter tido contato recente com a vítima. Mesmo com a negativa, Jobson foi indiciado no final da tarde pelo delegado Paulo José Barbosa, que concluiu o inquérito e deve entregá-lo à Justiça da comarca local até próxima terça-feira.
Daiane morava no povoado Lagoa Verde e morreu horas depois de comer um bombom recheado com um veneno contra ratos. Segundo o relato dos parentes, ela voltou da rua mostrando um chocolate que ganhou do namorado e comeu-o em seu quarto, mas depois começou a queixar-se de dores fortes no estômago e a espumar. A gestante chegou a ser levada pata o Hospital Regional Pedro Garcia Moreno, em Itabaiana, mas não resistiu. Os parentes acreditam que o crime teria acontecido porque o rapaz não aceitava a gravidez dela e exigia que ela abortasse.
Sem dar mais detalhes, Barbosa confirmou que o acusado procurou desmentir, em seu depoimento, as acusações da família da vítima, que o aponta como suspeito de ter entregado o chocolate para Daiane na noite de quarta-feira. Jobson admitiu que já teve um envolvimento com a jovem no passado, mas perdeu o contato com ela depois de ter casado com outra mulher. O lavrador também negou que teria exigido que a vítima fizesse um aborto – ela estava grávida de três meses. Outras cinco pessoas, entre vizinhos e parentes de Daiane, foram ouvidos igualmente pelo delegado.
O delegado informou que "Jobinho" continuará respondendo ao processo em liberdade e que caberá ao Ministério Público decidir se pedirá ou não a prisão dele à Justiça. O suspeito será processado por homicídio duplamente qualificado. Mesmo com o indiciamento, ainda é aguardado o resultado dos exames periciais e toxicológicos pedidos por Barbosa aos institutos Medico-Legal (IML) e de Criminalística, os quais atestarão se a morte de Daiane foi mesmo causada por envenenamento.


