Acidentes de trânsito eram usados para fraudar seguro

A superintendente da Polícia Civil, Katarina Feitoza, e as delegadas do Departamento de Defraudações e Combate à Pirataria (DDCP), Maria Pureza Machado e Annecley França, detalharam ontem a "Operação DPVAT Seguro", deflagrada nesta terça-feira para cumprir dois mandados de prisão e quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Criminal da Comarca de Aracaju. Foram presos o policial militar reformado Wilamis Sérgio dos Santos e o filho Wiliam Santos da Silva, acusados de montarem um esquema de fraudes na liberação de indenizações pagas pelo seguro DPVAT, que é obrigatório e destinado a cobrir custos e amparar vítimas de acidentes de trânsito.
A investigação foi iniciada pelo DDCP no ano de 2011, após o recebimento de diversas representações criminais da Seguradora Líder, informando a suspeita da existência de fraudes nos requerimentos das indenizações de seguros DPVAT. "Várias representações criminais foram registradas com relação as fraudes", destacou a delegada Annecley, responsável pelas investigações.
Segundo ela, as fraudes eram realizadas através de requerimentos feitos por meio de formulários encaminhados à Seguradora Lider pelos Correios, com assinaturas falsificadas de pessoas que constavam como vítimas de acidentes automobilísticos ocorridos em diversos Estados da federação. "Eram utilizados documentos falsificados para fundamentar os pedidos, a exemplo de Boletins de Ocorrência, certidão de nascimento, certidão de óbito, laudos de IML, relatórios médicos etc, e com a indicação das contas bancárias dessas pessoas para o recebimento das indenizações, ressaltando-se que tais acidentes, na verdade, nunca existiram", explicou a delegada.
Wilamis foi levado para o Presídio Militar (Presmil) e o filho William está detido em outro presídio. Durante a ação foi apreendida vasta documentação referente a requerimento de seguros DPVAT, computadores, pen drive, tablet e outros materiais de eletrônicos que serão periciados e R$ 6 mil. O valor do prejuízo ainda não foi contabilizado, mas as delegadas asseguram que os danos ao seguro foram milionários.
A superintendente Katarina Feitoza orientou a população com relação ao fornecimento de documentação a pessoas estranhas. "É preciso que as pessoas fiquem atentas, pois pessoas humildes forneceram documentos para que esses criminosos praticassem os crimes. Foi uma investigação complexa que felizmente o Departamento de Defraudações e a Dipol conseguiram desbaratar o esquema", pontuou.

Mais prisão – Na mesma operação, outro policial militar reformado foi preso, em flagrante, pela posse irregular de duas armas de fogo. George Gomes da Silva, foi liberado após pagamento de fiança e também é suspeito de envolvimento com as fraudes. "Essa operação é resultado de longa investigação, sendo apenas uma de tantas outras que se seguirão, no combate à fraude que envolve o Seguro DPVAT", destacou a delegada Maria Pureza.

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