Manifestação alerta para morte do rio Sergipe

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Luto pelo rio Sergipe. Foi com esta frase que militantes de várias entidades da sociedade civil organizada protestaram no inicio da manhã de ontem contra a realização da obra de contenção na avenida Beira Mar, no bairro 13 de Julho. Eles cobraram da prefeitura a conclusão de estudo de impacto ambiental para continuidade de intervenção de engenharia no local.

A concentração ocorreu a partir das 6h no Mirante da 13 de Julho. Com faixas e outros materiais de divulgação, os manifestantes fizeram uma ocupação simbólica do canteiro de obras, que começaram no dia 11 de novembro com conclusão prevista para 10 de maio. Durante a manifestação, o clima ficou tenso. Operários da empresa que realiza os serviços no local tentaram impedir os protestos, fechando a entrada do canteiro de obras, mas o ato público continuou.

Os manifestantes alertam que o aterro representa a morte do rio Sergipe. Eles cobram da administração municipal transparência sobre a realização da obra, denunciando que a prefeitura não esclareceu para a sociedade qual tipo de serviço está sendo feito na área. Eles também denunciam que a ausência de uma agenda ambiental tem trazido consequências naturais que afetam toda a população, a exemplo das constantes enchentes na cidade.
O grupo entende que há uma diferença muito grande entre reforçar a mureta de contenção das águas que avançam sobre a via e executar uma obra que pode trazer prejuízos incalculáveis ao meio ambiente e à população do litoral sergipano, sobretudo de Aracaju e da Barra dos Coqueiros.

De acordo com os organizadores da manifestação, o ato público teve como objetivo chamar a atenção da população quanto ao descaso ambiental que ocorre em relação ao rio, que se encontra vulnerável por causa da poluição e que o aterro de aproximadamente 23 metros vai contribuir para aceleração do processo de destruição. Os manifestantes esclareceram que não são contra a mureta de proteção e sim contra o aterro.

Lizaldo Vieira, do Movimento Popular Ecológico de Sergipe (MOPEC), comentou que a mobilização de ontem foi muita positiva. "O ato público teve uma grande repercussão, mostrando a necessidade para o prefeito João Alves Filho de que a obra não deve ser imposta à população. A sociedade está fazendo a sua parte, cobrando explicações ao poder público e participação nesta discussão, que é de interesse coletivo. A mobilização continua e com mais força, provocando vários desdobramentos como debates que já estão sendo realizados a partir do anúncio do protesto", avaliou.     
Amanhã, quinta-feira, as entidades farão uma reunião de avaliação às 18h30 na sede da CUT. O encontro também debaterá a sequência de atos públicos e mobilizações que o grupo estará realizando sobre o assunto.

Defesa Civil – Após o ato público, uma comissão teve audiência na manhã de ontem com o secretário da Semarh, Genival Nunes, que durante a tarde esteve com a Defesa Civil Municipal para discutir a questão envolvendo as obras da 13 de Julho.
O objetivo da reunião foi consultar a Defesa Civil Municipal para saber a real necessidade da realização da obra sem estudo ambiental e se a mesma deve ser feita emergencial ou definitivamente.

Lizaldo informou ainda que o secretário de meio ambiente de Aracaju, Eduardo Matos, entrou em contato com representantes das entidades e confirmou presença na reunião que haverá na CUT. "Há mais de três meses nunca nos procuraram, mas agora depois do ato público tivemos a informação que o secretário quer nos ouvir", comentou. Ele também lamentou a presença da polícia no local para retirar os manifestantes.

Além do MOPEC, o ato público também foi organizado pelo Fórum em Defesa de Aracaju, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Desportiva, Cultural e Ambiental do Robalo (ADCAR), a Associação dos Moradores do Bairro América (AMABA), o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Sergipe (SINDIJUS), o Instituto Sílvio Romero, o Instituto de Cidadania e Meio Ambiente, o Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU), o Ciclo Urbano, o Coletivo Seja Realista, Exija o Impossível, o Movimento Não Pago, entre outras instituições. A manifestação também tem apoio de parlamentares como a deputada estadual Ana Lúcia.

A Justiça interditou o trecho na avenida Beira Mar no inicio do ano e determinou que a Prefeitura Municipal de Aracaju recuperasse a mureta de proteção no local.
O grupo chama a atenção de que a obra dita emergencial está aterrando o leito do rio sem os estudos de impactos ambientais e os relatórios necessários e que para realização das obras definitivas sem o licenciamento não devem, sob nenhum pretexto, serem realizadas.

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