Falta de professores na rede estadual será investigada pelo MPE

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A constante ausência de professores de variadas disciplinas em escolas da rede estadual volta a ficar na mira de investigação do Ministério Público Estadual (MPE) em Sergipe. Após uma série de denúncias protocoladas por pais de alunos e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), a promotoria de educação do órgão de fiscalização deu início ao processo de análise em busca da veracidade das denúncias. Desde o último mês de agosto o sindicato desenvolve um dossiê que indica, principalmente em Aracaju, vasto desvio de função e falta de condições básicas para que os docentes possam ministrar aulas dentro das salas.

Acusando a Secretaria de Estado da Educação (Seed) de uma possível omissão administrativa, alguns professores da rede garantem que todos os problemas citados no documento já entregue ao MPE são de total conhecimento dos gestores públicos. Para o professor Mário Jorge, apesar dos investimentos declarados pela secretaria, as instituições de ensino instaladas na capital sergipana passam por obras com baixa representatividade ou são desenvolvidas em passos lentos. "Infelizmente a melhoria que deveria ser realizada de forma uniformizada na capital e no interior, na realidade não acontece. A falta de professores para atender toda a demanda é incrível e ninguém faz nada pra mudar esse cenário. Isso sem falar da falta de condições para trabalhar", disse.

Sob responsabilidade do promotor de justiça Cláudio Roberto de Sousa, a perspectiva é que o Ministério Público também avalie uma possível lentidão no andamento das obras. Segundo a professora Adriana Ferreira, todas as informações contidas no documento foram de relatos dos estudantes que denunciaram os problemas junto ao Sintese, e pelos próprios profissionais, educadores ou não, que trabalham diariamente nessas escolas. Questionada sobre a falta de professores nas salas de aula, ela disse: "Isso não é novidade. O Sintese vem falando disso há muito tempo, mas ninguém observa de fato o avanço. Sou professora há mais de 25 anos e nunca vi tanto aluno pra tão pouca sala de aula e profissional pra trabalhar. Precisamos de concurso".

Entre as instituições denunciadas pelos professores está a Escola Estadual 11 de Agosto, e a Escola Estadual Manoel Luiz. Segundo alguns pais de alunos, as unidades passam por reforma desde o início do ano e todos os alunos foram locados em escolas instaladas no centro da capital. Em entrevista ao Jornal do Dia, a presidente do Sintese, professora Ângela Melo disse contar com o apoio do MPE na tentativa de proporcionar uma educação pública de melhor qualidade para todos os sergipanos. "Por causa desses problemas na administração pública o jeito foi pedir o apoio do Ministério Público. Às vezes temos professores, mas não temos estrutura, quando não, o problema é o inverso e isso vem prejudicando os alunos", afirmou.

Resposta – Pela Secretaria Estadual de Educação foi informado que as escolas em reforma seguem o cronograma previamente elaborado pelas empresas que venceram as licitações para realizar o serviço. De acordo com a Seed, mesmo com as fortes chuvas que predominaram no estado desde o início do mês as etapas estão sendo realizadas normalmente. Quanto à falta de professores, foi informado que até o final da tarde de ontem a secretaria ainda não havia sido notificada pelo MPE sobre o problema, mas que está disposta a colaborar com as investigações e resolver os problemas de imediato caso eles sejam reais.

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