Lula via em Déda o "senador que está faltando em nosso país"

Amigo, compadre, uma relação "quase de pai pra filho", como disse o próprio ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Sua proximidade com o governador Marcelo Déda era notória e de conhecimento de todo o país. Não à toa, veio às pressas para Aracaju na tarde desta segunda-feira, para acompanhar de perto as homenagens decorrentes do falecimento de Déda. Lula e a esposa Marisa Letícia foram padrinhos de batismo de Yasmin, a primeira filha do governador falecido.

No Palácio-Museu Olímpio Campos, centro de Aracaju, Lula concedeu entrevista coletiva à imprensa destacando que sonhava com o dia em que veria Déda no Senado Federal. "Eu sonhava, porque eu acho que está faltando tribunos de envergadura no Senado e Déda poderia ser um senador extraordinário. Ele poderia ser o tribuno que está faltando no nosso país", revelou o ex-presidente da República. Déda era o mais cotado para ser candidato ao cargo nas eleições do ano que vem.

Para Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Estado de Sergipe acabam de perder uma de suas grandes realidades políticas. "Eu além de perder um amigo, um militante do meu partido, perco um compadre, uma pessoa com quem construí uma relação de amizade desde 1985 quando ele foi candidato a prefeito ainda muito jovem", acrescentou.

Lula disse ainda que Déda era um homem que sofria com as coisas que davam errado e com os problemas dos amigos. "Eu fico muito entristecido, acho que o ‘Dedinha’ poderia viver mais uns 40 anos. O que vale para nós na verdade é guardar dele as boas lembranças", lamentou.
"Andar com Déda naquela campanha dele de reeleição na prefeitura [de Aracaju] era quase como andar com um deus em cima do caminhão. Depois o sonho dele de ser governador. E é disso que temos que lembrar dele: o Dedinha bom humor, o Dedinha alegre, o Dedinha cantador, Dedinha poeta, orador", concluiu o ex-presidente.

Dutra – Também em coletiva, o amigo José Eduardo Dutra conversou com os jornalistas e disse se espelhar em muitas atitudes adotadas por Marcelo Déda. Mesmo sentindo fortes dores, Dutra garantiu que o governador acordava cedo e buscava informações sobre as obras desenvolvidas pelo Estado.
"Isso ocorria até quando ele já estava lá no apartamento do hospital. Aos poucos estava se mostrando cada vez mais debilitado, mas pouco conseguia esquecer os serviços públicos que tinha deixado aqui. Quando vinha a Sergipe fazia questão de visitar algumas dessas obras. Fico feliz e eternamente grato por ter trabalhado ao lado de Déda, e digo mais, ter sido amigo desse companheiro tão importante para a vida de todos nós".

Compartilhe esta notícia