Médicos do Nestor Piva faltam ao trabalho e pacientes são levados ao Huse

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por falta de médicos, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ficaram sem atendimento na manhã de ontem na Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, em Aracaju. Sem informar o motivo da ausência desses profissionais, a direção da UPA, com o apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), transferiu todos os pacientes que apresentavam necessidade emergencial de atendimento para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Devido a sobrecarga de prontuários, os pacientes que ficaram sem atendimento no Nestor Piva demoraram a ser atendidos e voltaram a criticar a falta de atendimento em postos de saúde do município e desqualificação estrutural na maior unidade hospitalar do Estado de Sergipe.
Nos últimos seis meses, exatas dez denúncias de falta de atendimento no hospital municipal foram noticiadas pela população junto às empresas de comunicação da capital. Reclamando de fortes dores na parte abdominal, o motorista de ônibus Adelson Siqueira criticou a direção da UPA e a Prefeitura de Aracaju. Para ele, além de permanecer sentindo dores, vai ter que perder mais um dia de trabalho em virtude da falta de assistência médica. "Afirmo que estava iludido ao imaginar que hoje pela manhã seria atendido, a dor iria passar e amanhã já apresentava meu atestado médico na empresa, mas não é isso que vai acontecer. Sai prefeito e entra prefeito e a tão sonhada mudança e solução não chega", disse.
Já no Huse, os pacientes que foram encaminhados se queixavam da demora no atendimento. Pela segunda vez vivenciando essa situação de calamidade no atendimento do SUS, a doméstica Aline de Lourdes lamentou a precariedade do serviço ambulatorial disponibilizado pelas UPAs. Acompanhando a paciente, a respectiva irmã, Angélica de Lourdes, afirmou que esse tipo de problema é enfrentado todas as semanas pelos aracajuanos. "Graças a Deus parece que eu tenho uma saúde de ferro e nunca precisei ser atendida lá no Nestor Piva. É por isso que o Huse fica cheio de gente e o atendimento fica ainda mais demorado. Eu tenho é medo de ser atendida no Nestor", declarou.
"Os políticos só se manifestam quando a gente fecha o trânsito queimando pneu na avenida, fora isso eles veem o problema e continuam caladinhos. Espero que o Ministério Público esteja ciente dessa falta de respeito com o contribuinte e exija mudança que possa punir os médicos que não aparecem pra trabalhar", afirmou o estudante universitário Breno Soares.
No último mês de agosto a Promotoria de Direitos à Saúde do MPE exigiu que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) implantasse um ponto de Registro Biométrico com o propósito de evitar a ausência de médicos em horário de trabalho. Apesar da determinação, o problema voltou a ser registrado nos demais meses de setembro, outubro, novembro, e agora, em dezembro.
Até o final da tarde de ontem a direção do Nestor Piva não havia se pronunciado sobre a queixa popular. Já a Prefeitura de Aracaju informou que parte das reclamações apresentadas na manhã de ontem não procedia, mas que o sistema de atendimento foi normalizado no período vespertino e que nenhum cidadão ficou sem atendimento. Ainda de acordo com a PMA, a ausência destes profissionais será investigada pela própria administração municipal.

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