Lojas precisam de kit contra incêndio

Milton Alves Júnior
miltonalvesjúnior@jornaldodia.com.br

Até o próximo domingo, 15, todos os estabelecimentos comerciais de Aracaju devem adquirir e deixar em local de fácil acesso um kit contra incêndio. A determinação foi definida e aprovada através de parceria formada entre a Câmara dos Dirigentes Lojistas da capital e o comando-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe. A medida preventiva tem por objetivo qualificar o sistema de combate a incêndios nas lojas, principalmente neste período de final de ano quando milhares de consumidores passam a frequentar com maior frequência os polos comerciais. O kit deve ser composto por extintores de incêndio, luvas, luz de emergência, máscaras e sinalização da rota de fuga.
Conforme exigência da CDL, a depender do tamanho do estabelecimento e do tipo de produto comercializado, não necessariamente o kit deve conter todos esses equipamentos. A medida cautelar foi apresentada aos lojistas no início do mês passado e a perspectiva é que os estabelecimentos comecem a ser vistoriados já a partir da próxima segunda-feira, 16. Para o presidente da CDL, Samuel Schuster, a direção da câmara e o comando do CBM estão dispostos a tirar as possíveis dúvidas que ainda possam existir entre os empresários. "Essa mudança na realidade já deveria ter sido adotada por todos os comerciantes, mas isso não ocorreu. Agora passa a ser regra, para o bem de todos", declarou.
A três dias para expirar o prazo, até o momento não se possui um dossiê que transpareça a quantidade exata ou estimada de estabelecimentos que já possuem o kit incêndio devidamente instalado. O descumprimento da norma pode resultar na aplicação de multas, que também varia com o tamanho da loja, e em casos de recorrência o departamento comercial pode ser interditado por tempo indeterminado. Ainda de acordo com o presidente, essa é uma reivindicação antiga solicitada pelos próprios consumidores. "Estamos nos adequando às normas de segurança e felizmente muitos lojistas se mostraram interessados em adotar a mudança. Esperamos alcançar os 100% até sábado. Fica aqui o nosso lembrete", finalizou Schuster.
Em outras capitais o procedimento já foi realizado há mais de dez anos. Esse é o caso de Florianópolis (SC) que neste período registrou apenas quatro incêndios a lojas no centro comercial. Para a população e vendedores aracajuanos, é de suma importância que os próprios frequentadores dessas lojas possam denunciar um possível descumprimento aos órgãos estaduais de fiscalização. De acordo com a costureira Núbia Ramos, as lojas de tecidos são as mais vulneráveis a registrar esses sinistros e devem adotar a medida como forma de garantir a segurança dos clientes. "Acho que deveriam ter até mais que um kit. Se os donos pararem pra pensar, são atitudes que previnem fatalidades e até perda dos produtos", afirmou.
Já para a professora aposentada Glória Cerqueira, outras medidas cautelares deveriam ser realizadas pelos empresários sem a necessidade de uma ordem emitida pela CDL ou demais órgãos. "Seria tão bom se os donos começassem a pensar nessa melhoria sem um Ministério Público ou a Câmara de Lojistas exigirem. Alguns profissionais do comércio trabalham dessa forma, se prevenindo, mas a maioria persiste em economizar e ao mesmo tempo se arriscar a grandes danos", disse. A fim de evitar que panes elétricas possam causar curtos circuitos, a medida exige também que eletrotécnicos sejam contratados para analisar tomadas, fios e a carga elétrica utilizada para o funcionamento de aparelhos como ventilador, ar-condicionado e computadores.

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