PASSAGEIROS RECLAMAM DE ATRASOS DE VOOS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Ano de Copa do Mundo de Futebol no Brasil e boas perspectivas para o aquecimento econômico em todos os setores de serviço ao público, principalmente no âmbito do turismo. O que era pra ser um ponto de esperança e de bons lucros, tem se tornado em tormento para os sergipanos. Isso vem ocorrendo pela falta de estrutura atualmente disponibilizada no Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, e principalmente pela baixa oferta de voos comerciais que deveriam ter a capital sergipana como destino. Desde o início do mês de dezembro do ano passado, passageiros que utilizam as aeronaves como meio de locomoção estão se queixando da falta de preparo e conforto.

Esse é o caso do advogado Antônio Carlos Mattos que lamenta a pouca opção de voos nos turnos matutinos e vespertinos. Para ele, um estado que se diz em crescimento populacional e econômico deveria estar preparado há mais tempo para receber um evento tão significativo para a maioria dos brasileiros. "É Copa do Mundo e como é que está nosso estado? Parado, diria eu. É preciso que os gestores públicos comecem a acelerar essas obras e de fato aumentem o número de voos porque desse jeito que está, apenas estamos manchando a nossa imagem com os turistas", declarou. Outro problema constantemente identificado pelos passageiros se refere aos atrasos das aeronaves.

No último mês de dezembro, segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), divulgados no início deste mês em Brasília, 20% dos voos destinados a Aracaju sofreram algum tipo de atraso. Para Alcenira Barreto, coordenadora de marketing de uma multinacional instalada em Aracaju, esse tipo de queixa vem sendo registrada ao longo dos últimos meses, mas nenhuma providência foi adotada até o momento. "Como se não bastasse ter que viajar nas madrugadas, coisas que a gente só vê em Sergipe, também somos obrigados a ficar esperando o avião sair na hora que a companhia bem entende. O pior disso tudo é que ninguém dá uma satisfação plausível. Agora vá você se atrasar dois minutos", afirmou.
Até o final da tarde de ontem a Infraero, em Sergipe, não havia se manifestado oficialmente sobre os problemas citados pelos passageiros. Já o secretário de Estado do Turismo, Elber Batalha Filho, garantiu ao Jornal do Dia que o Governo do Estado está intensificando debates com as empresas aéreas e agências de viagens para que um número maior de voos esteja à disposição dos sergipanos em um futuro próximo. Nessas negociações também estão em pauta a criação de outros destinos, principalmente para a região Nordeste. "É compreensível que algumas críticas sejam feitas, mas é preciso que as pessoas observem que em qualquer obra transtornos fazem parte do processo natural. Em cinco anos de trabalho conseguimos benefícios jamais conquistados para Sergipe", afirmou.
Questionado sobre as obras do aeroporto, o secretário foi enfático e avaliou o serviço como o de maior representatividade para o setor turístico de Sergipe. Segundo ele, ao fim da reforma, o aeroporto terá capacidade de estacionar no pátio um maior número de aeronaves e isso consecutivamente representará mais ofertas de voos diários. "Uma obra excepcional e que vai igualar o aeroporto de Aracaju aos melhores do Norte – Nordeste. Serão 16 vagas para estacionamento e oito fingers. Quanto aos voos nas madrugadas, isso ocorre devido a pista estar temporariamente interditada das 6h às 12h para que possamos realizar as obras nessa área externa", disse.
Sobre o remanejamento de voos, Elber Batalha concluiu dizendo: "Foi um trabalho imenso entre o Governo do Estado e a Infraero. Isso tudo para não perdermos nenhum voo. Dependíamos de horários livres nos demais aeroportos do país, a exemplo de Salvador e Brasília, e felizmente conseguimos êxito nesse processo. Não fomos obrigados a cancelar voos, muito menos fechar o aeroporto", pontuou. Durante a última grande reforma realizada no aeroporto, ainda no governo Albano Franco, o atendimento foi interrompido e os sergipanos tinham que se deslocar até a capital baiana. Desta vez a interrupção não foi necessária, mas os transtornos registrados devem permanecer até junho ou julho de 2015.

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