Milton Alves Júnior
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Foi sepultado na manhã de ontem o corpo da criança Matheus Souza Marques da Silva, de quatro anos, que no último domingo, 12, foi vítima de latrocínio enquanto passeava de moto com o pai, Edmilson Marques da Cruz, no município de Nossa Senhora do Socorro. Sem resistir aos ferimentos, o condutor da moto morreu no local antes da chegada de equipes de resgate, já Matheus foi encaminhado ainda com vida para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) para estancar o sangue e retirar parte da bala que estava alojada na cabeça. Após a cirurgia o paciente permaneceu por longas horas aguardando uma vaga em um leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não suportou a falta de estrutura e faleceu.
Durante o velório que ocorreu na casa das vítimas, no Loteamento Santa Cecília, em Nossa Senhora do Socorro, o clima era de tristeza e revolta. Segundo informações apresentadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), foram recolhidas cinco capsulas de balas no local do crime. Destas, uma teria atingido a parte central da cabeça de Matheus e mais três o corpo do pai. Quase sem forças até para implorar por justiça, o pai e avô das vítimas, Edson Marques, lamentou o ocorrido e acusou a justiça brasileira por ser ‘falha’, ‘serena’ e até ‘mãe’ dos marginais.
Segundo ele, se as punições fossem mais severas o número de meliantes e ocorrências dessa natureza seria menor. "Como que será a minha vida a partir de agora sem eles no meu dia-a-dia? Não acredito na justiça brasileira que apenas serve para punir o pobre que rouba galinha pra comer, mas é uma mãe com os políticos corruptos e traficantes", declarou aos prantos Edson que concluiu dizendo: "Enterrar um filho, e agora um neto, ninguém imagina a dor que estou sentindo".
Comovidos com o sofrimento da família, moradores do loteamento e de demais bairros do município foram até o local do sepultamento e também reivindicam punição aos homicidas. Esse é o caso da aposentada Neide Maria que se sensibilizou com a história e teme que outras famílias possam se tornar vítimas destes mesmos elementos.
De acordo com ela, em decorrência da brutalidade promovida pelos marginais no caso da família Marques, é possível acreditar que os mesmos podem não ter se comovido com a ação e voltar a protagonizar novos casos de latrocínio na Grande Aracaju. "Sem punição não tem como ficar tranquila e achar que nada ocorrerá com nenhum de nós. Infelizmente já foi o tempo em que Sergipe era um estado tranquilo pra se viver. Com a chegada das drogas e falta de agentes de segurança mais dispostos a acabar com essa onda de terror estamos nos assustando cada vez mais com esses fatos", disse.
Pela SSP foi informado que o Departamento de Proteção à Pessoa Física (DHPP) já iniciou as investigações.
Em estado de choque, o irmão e tio das vítimas, Givaldo dos Santos, garante que houve falha em dois serviços públicos: segurança e saúde. Insatisfeito com a perda, ele afirmou que se o Huse disponibilizasse equipes médicas mais qualificadas e melhores condições de trabalho, além de uma melhor estrutura à disposição dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), a criança na teria perdido a vida de forma prematura. "Se o atendimento lá fosse mais rápido e arranjassem logo um leito para ele nós não teríamos perdido mais um ente da família. A sensação que fica é de revolta por pagarmos tantos juros e os serviços públicos continuarem tão precários", lamentou.
Segundo nota oficial emitida pela Assessoria de Comunicação da unidade hospitalar, "o Boletim médico da criança aponta que ele teve uma parada cardíaca, ele foi reanimado pelos médicos, em seguida operado, e passou um período entubado. O médico que atendeu a criança informou que ela não tinha condições nenhuma de ser transferida de um centro cirúrgico para uma UTI, mas o aparelhamento é o mesmo. Caso ela estivesse viva, provavelmente ficaria com sequelas", informou o Huse.


