Rian Santos
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Abandonaram uma criança na beira da estrada. A mãe, outra criança, não tinha dinheiro para o leite da menina. Me perdoem a pieguice, mas é a notícia mais triste do mundo.
Ano passado, só com a gratificação dos Policiais Militares convocados para fazer a segurança da festa de Fabiano, o Governo de Sergipe gastou R$ 890 mil. Eu, que nunca aprendi a fazer conta direito, imagino uma chuva de notas graúdas caindo do alto dos camarotes, pra alegria e surpresa das meninas, mães de outras meninas, catando latinhas no meio da bagunça.
A Prefeitura Municipal de Aracaju dispensou R$ 6 milhões para matar o Rio Sergipe. Antes do prefeito João Alves Filho, ninguém tinha dado muita atenção às águas turvas que ameaçam o passeio com uma beleza violenta, investindo contra o asfalto, contra a propriedade, contra os compromissos pendurados nos relógios de homens gordos, enforcados nas próprias gravatas, aborrecidos com o trânsito. O Rio Sergipe era uma menina feia, nas tetas de outra menina, chorando o leite que não vinha.
Os cargos comissionados do Tribunal de Justiça de Sergipe custaram R$ 30 milhões aos cofres do poder judiciário sergipano em 2012. Ali, não falta leite, nem salários acima do teto constitucional de R$ 28 mil. Nenhuma mancha no mármore do Palácio que vigia a Praça Fausto Cardoso. As meninas descalças, grávidas de outras meninas, são livres para machucar os pés em outra freguesia.
Os fatos se bastam. Os números não mentem. Uma pontinha de tristeza que nos devolva um vago sentido de humanidade às vezes cai bem.


