Assaltantes fazem 25 reféns em transportadora

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um grupo de oito bandidos armados e encapuzados invadiu a sede da transportadora Transcompras, na BR-235, altura do povoado Sobrado, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). O crime aconteceu às 20h de anteontem e teve 25 pessoas tomadas como reféns, além de render um prejuízo de R$ 10 mil em dinheiro e objetos roubados. Toda a ação durou cerca de 15 minutos e chegou a ser gravada por um circuito interno de TV, mas os bandidos destruíram o computador que registra as imagens captadas pelas câmeras. Era o encerramento do expediente quando tudo aconteceu.
De acordo com a queixa prestada por um dos sócios da firma, ele e outras pessoas trabalhavam no galpão e nos escritórios, sendo 15 funcionários da Transcompras e outros 10 empregados de empresas terceirizadas. Todos foram surpreendidos com a chegada dos criminosos, que carregavam pistolas e revólveres, e acuaram os reféns para o meio do galpão, retirando-os dos locais onde se encontravam. "No início, ele [um dos assaltantes] entrou já empurrando dois funcionários que estavam na frente da porta do escritório, e já foram gritando que era um assalto, que ninguém podia se mexer", relatou um dos funcionários.
As vítimas relataram ainda que apenas um dos bandidos estava de cara limpa e parecia ser o chefe do grupo, pois repassava ordens aos comparsas e determinava o que podia ou não ser roubado do depósito. Segundo uma das vítimas, um dos ladrões chegou a pedir autorização ao chefe para levar um aparelho de TV do escritório para sua casa, e ele consentiu. Primeiro, os criminosos ficou ameaçando os funcionários, recolhendo joias, celulares, alianças de ouro, relógios e outros pertences. Tudo era feito sob muitas ameaças. "Eram muito nervosos. Qualquer coisa, eles queriam atirar na gente. Chegaram a dar uns três tapas na cara de um funcionário que não queria levantar as mãos", relata outra vítima.
Um dos gerentes contou ainda que, depois de recolher os pertences e colocar alguns objetos em um carro, os bandidos obrigaram os reféns a entrar na carroceria de um dos caminhões-baú da Transcompras, cuja porta chegou a ser trancada. "Depois de fazer toda a bagunça e catar todos os pertences dos funcionários, além de alguma importância da empresa, colocaram a gente dentro do baú e disseram pra ninguém se mexer. E depois eles subiram até os escritórios e quebraram tudo", relatou ele, referindo-se aos móveis, equipamentos e um cofre que chegou a ser estourado pelos bandidos. "A sorte é que não tinha quase nada, porque todo o dinheiro quer entra aqui é por boleto bancário, depósito no banco… entra pouco dinheiro aqui", disse o gerente.
Um funcionário que estava de saída da transportadora quando os bandidos chegaram percebeu a ação e, sem ser visto, escapou do galpão e foi pedir ajuda em um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os oito bandidos conseguiram fugir antes da chegada dos patrulheiros, deixando para trás um segundo cofre que chegou a ser carregado para fora. Os 25 reféns foram libertados pelos policiais e, apesar de nervosos, saíram sem ferimentos. Além dos pertences, foram levados cerca de R$ 3.500 em dinheiro, sendo R$ 2 mil da empresa.
O caso foi registrado ao final da noite na Delegacia Plantonista (Centro) e deve ser investigado pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). A suspeita é de que o grupo criminoso tenha obtido informações sobre a rotina da empresa durante o planejamento do assalto. Em maio de 2011, outro assalto com as mesmas características surpreendeu a polícia: seis bandidos invadiram a fábrica da empresa Maratá, em Itaporanga D’Ajuda (Sul) e colocaram mais de 60 reféns em um caminhão-baú para roubar mais de R$ 140 mil. Após um mês de investigação, cinco autores do crime – quatro paulistas e um mineiro – foram presos pelo Cope nas cidades de Aparecida de Goiânia (GO) e São José do Rio Preto (SP).

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