Gabriel Damásio
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"Hi, @rihanna. We would like to inform that Thiago´s murderer has been captured after an anonymous call to the police". A mensagem em inglês, direcionada à cantora caribenha Rihanna, foi postada no Twitter às 9h de ontem pela equipe de comunicação do Governo de Sergipe para anunciar o fim da caçada ao autônomo Marcos André Andrade dos Santos, 32 anos, o "André Bomba", que matou a própria esposa e dois enteados na madrugada do último sábado, no Conjunto Marcos Freire III, e que chegou a ganhar destaque no exterior. "Bomba" foi preso às 7h50 de ontem, na Avenida Beira-Mar, próximo ao Iate Clube de Aracaju, bairro 13 de Julho (zona sul), após ser reconhecido por passageiros de um ônibus da linha Fernando Collor/Atalaia que estava a caminho do Centro.
A denúncia foi feita pelo telefone ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), que acionou imediatamente as equipes do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam), da Polícia Militar. Alguns dos soldados estavam chegando para assumir o plantão quando saíram em busca do ônibus apontado. Outros montaram um bloqueio na avenida, com o objetivo de cercar o veículo. A estratégia deu certo. "Fizemos a abordagem em frente ao Iate e mandamos todos os passageiros descer. Ele [André] estava sentado, foi o último a descer do ônibus e tentou escapar pela janela. Como ele viu que o ônibus estava cercado, ele não teve como fugir", relatou o sargento Edvaldo Fagundes, que comandou a ação das equipes.
O militar relatou também que Marcos ainda tentou negar sua identidade, dizendo que se chamava ‘Sérgio’ e era apenas parecido com o suspeito procurado. "Ele dizia que era alguém que se parecia com ele. e de fato ele estava muito diferente das fotos que foram divulgadas pela imprensa. Nós insistimos, continuamos a interrogar e ele acabou cedendo, dizendo que tomou aquela atitude porque tinha ingerido muita bebida, usado muita droga e que não se lembrava de nada", disse Fagundes, relatando ainda que uma tatuagem no corpo do acusado também ajudou no reconhecimento do suspeito.
A polícia apurou que "Bomba" estava escondido na Aruana e ia voltar para o Marcos Freire quando foi preso. Ele carregava uma mochila com sabonete, desodorante, papel higiênico, um sanduíche e um blusão. "Alguém que queira se entregar à polícia não vai ficar circulando com isso no bornal. E ainda não entendemos porque ele queria voltar pra socorro. ou ele queria se vingar de alguém ou iria para a casa de um parente", suspeitou o sargento.
"Não vou ficar vivo" – Marcos André foi levado primeiro para a sede do Getam, na Avenida Augusto Maynard, São José, onde foi interrogado e qualificado. Neste tempo, os jornalistas atraídos ao local não tardaram em questionar o acusado sobre os motivos do crime. O autônomo confessou ter esfaqueado a esposa, Vanessa Almeida Sobral, 31, e seus dois enteados, Thiago Sobral Valença, 15, e Osvaldo Pereira dos Santos Junior, nove anos, além de tentar estuprar uma sobrinha de 13 anos. E admitiu que poderá ser morto por causa do crime que cometeu. "Eu sei que eu não vou ficar vivo, porque, com a mesma espada que a gente fere, a gente será ferido. Então, eu só peço a Deus que livre minha alma", admitiu "Bomba".
O autônomo alegou que tinha bebido muito e usado drogas naquela noite, mas caiu em contradição várias vezes, ao tentar uma justificativa. Primeiro, disse que suspeitou de uma suposta traição de Vanessa. Depois, disse que foi tomado por uma força satânica. Adiante, admitiu que estava sob efeito de bebida e cocaína. "Eu cheguei a discutir com ela e, na hora da raiva, aconteceu essa tragédia", afirmou. André disse ainda que pretendia se entregar à polícia ainda nesta semana, depois de passar um tempo escondido, e que também estava "arrependido" do que fez.
Revolta – A notícia da prisão de André atraiu dezenas de pessoas ao Getam e quase provocou um incidente grave. Parentes de Thiago Valença entraram na sede da unidade e tentaram agredir "Bomba", tendo que ser segurados e revistados por policiais. Nenhuma arma foi encontrada. No entanto, a revolta e a dor dos familiares foi extravasada com lágrimas e xingamentos.
"Seu safado! Assassino! Covarde! Vagabundo! Vá se arrombar! Por que você não fez isso em você? Filha da puta! Você vai se arrombar no inferno! Seu moleque! Vagabundo! Você vai pagar cada lágrima que a gente está soltando!", explodiu o tio de Thiago, Elício Pereira, que ressaltou Thiago como um menino tranquilo e estudioso. "A vida dele era estudar e curtir Rihanna. Só isso", lamentou, referindo-se à cantora pop caribenha de quem ele gostava – e que não só o homenageou no Twitter, como também se ofereceu para ajudar a família.
Já o pai do estudante, Eroilton Valença, mesmo aos prantos, insistia em encarar André. "Eu só quer saber por que ele fez isso", disse ele, ao relatar ter ouvido um pedido de perdão, prontamente recusado. "Isso não tem perdão. Ele é um monstro. ele não pode estar solto daqui a dois, três anos não, porque ele é uma ameaça à minha família, à família da mulher", desabafou ele. Outros parentes das vítimas se concentraram na porta do Getam e receberam o acusado com gritos de "assassino".
A segurança chegou a ser reforçada para a transferência do acusado, que foi levado sob escolta em um carro com vidros pretos até a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Santos Dumont (zona norte). O prédio chegou a ser fechado até final da manhã, enquanto "Bomba" era interrogado pela delegada Juliana Alcoforado. De lá, ele foi encaminhado ao Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul), onde ficará preso até seu julgamento. Marcos foi indiciado pelos crimes de triplo homicídio, estupro e corrupção de menores. "Ele responderá pelo crime de corrupção de menores, pois obrigou a adolescente vítima do estupro a usar cocaína", destacou a diretora do DHPP, Thereza Simony.


