Mílton Alves Júnior
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Estudantes de Instituto Federal de Sergipe (IFS) realizaram na noite de ontem um ato público contra a onda de assaltos que perturba a vida dos alunos e a falta de ronda policial ostensiva no entorno da instituição. Com o apoio de parte dos professores, os manifestantes bloquearam parte da Avenida Engenheiro Gentil Tavares, no bairro Getúlio Vargas (zona central) e seguiram em marcha até a Avenida Desembargador Maynard, onde bloquearam o fluxo de veículos e queimaram pneus.
Observados de perto por soldados da Polícia Militar, o grupo formado por mais de 100 pessoas recebeu o apoio de comerciantes e moradores da região, que também lamentam a ousadia dos meliantes. Nos três primeiros dias da semana, foram registrados mais de cinco assaltos. Em paralelo ao furto de celulares, dinheiro, jóias e demais pertences pessoais, outros crimes passaram a atormentar quem vive na região.
Na última quinta-feira, uma jovem de 26 anos conseguiu se salvar de um seqüestro relâmpago. Em companhia da mãe, ela foi abordada por quatro homens que estavam em um carro de passeio e, após repassar todos os pertences, um dos bandidos chegou a puxá-la pelo braço, mas a tentativa foi abortada pelo próprio meliante. Já em uma panificação que fica a 50 metros do IFS, um roubo qualificado foi registrado e oficializado através de boletim de ocorrência há pouco mais de 15 dias.
Esta semana, até um arrastão foi promovido. De acordo com o estudante Antônio Carlos Silveira, cerca de 20 pessoas estavam em um ponto de ônibus quando dois homens fortemente armados chegaram em uma moto e anunciaram o assalto. Ao todo, 17 aparelhos celulares foram levados, mais uma quantia de R$ 200 em espécie. "Se juntar o valor dos celulares, dinheiro e joias, é R$ 3 mil de prejuízo no mínimo. O que nos irrita é que a gente conversa com os diretores pra exigir do governo e da Prefeitura mais segurança, e eles, que deveriam se preocupar com a gente, não fazem nada ou quase nada", declarou.
Na mobilização, iniciada por volta das 19h, pôde-se identificar outros problemas que contribuem para a uma atuação mais ‘tranquila’ dos assaltantes. Dos dez postes de iluminação instalados na frente e lateral do IFS, quatro estavam devidamente apagados. Além de uma presença mais ostensiva dos órgãos de segurança na localidade, a comunidade estudantil e docente pede que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), possa modificar o local do ponto de parada. Essa seria uma das mudanças paliativas que possam contribuir para minimizar a atuação dos marginais.
Com medo de novos ataques, a moradora Rosângela Leonardo, que por pouco não teve a filha sequestrada, disse apoiar integralmente a manifestação. "Infelizmente muitas pessoas acham ruim esse ato, mas a gente só sabe da necessidade dele quando alguém nosso passa por um momento de tanto desconforto e medo. Aqui o bandido anda solto e, o mais incrível, quando fui prestar queixa os policiais disseram: ‘Não podemos fazer nada", lamentou a moradora. Sobre os assaltos aos estudantes, ela garantiu ser um fato diário e em vasto crescimento. "Tenho vizinhos que estudam aqui no IFS e dizem que por dia pelo menos três pessoas são roubadas. Cadê a segurança, queridos políticos?", questiona.
Durante a queima de pneus, alguns motoristas tentaram ultrapassar a barreira feita pelos estudantes e os soldados da Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp) tiveram que intervir, a fim de evitar uma briga. O ato durou cerca de uma hora e meia. Segundo os organizadores, novos protestos devem ocorrer caso nenhuma melhoria seja proporcionada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), ou pela Guarda Municipal de Aracaju (GMA). "Vamos continuar mobilizados porque cansamos de tanto assalto e falta de atenção por parte do IFS e governantes públicos. Se não houver melhorias, vamos parar as avenidas novamente", prometeu a estudante Edilene Dias.


