PRESO GRUPO QUE ENVIAVA CRACK POR CAMINHÕES

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Federal acredita ter desbaratado a quadrilha responsável por envios de encomendas de drogas escondidas em carros transportados por caminhões-cegonha, em uma tática usada pelos traficantes para tentar driblar os bloqueios policiais. Em uma ação realizada anteontem à tarde na BR-101, em Cristinápolis (Sul), agentes federais interceptaram três veículos que traziam 31 quilos de crack, vindos de São Paulo. Seis pessoas foram presas em flagrante, sendo três apontados como os proprietários das drogas apreendidas em duas Pajero Full apreendidas em dezembro do ano passado.

Os presos são os paulistas Paulo Roberto Lima Goes, 34 anos, e Debora Aline da Silva Ramos, 20; os alagoanos Amauri Rodrigues Cavalcante, 27, e Ricardo Tenório Cavalcante, 33; o cearense Flávio Leirton da Silva, 27; e a mineira Maiara Andrade Camargo Frogeri, 20. Todos já eram investigados pela Polícia Federal desde a apreensão das Pajeros, nas quais foram achados 35 quilos de crack (em 9 de dezembro, próximo a Propriá) e mais 64 quilos de maconha (três dias depois, em Japaratuba). Um dos condutores, o alagoano Abílio Cardoso dos Santos, também foi preso na ocasião. A partir daquele momento, as investigações dos federais sobre o grupo começaram.

O delegado Daniel Horta Alves, chefe do Núcleo de Combate ao Crime Organizado da PF, confirmou que Paulo, Ricardo e Amauri são os donos das três cargas de drogas apreendidas e, por isso, foram indiciados por tráfico de drogas nos dois inquéritos instaurados para apurar os casos das Pajeros. "Os três são os verdadeiros donos destas drogas apreendidas. É uma grande ligação que existe entre os casos e não temos dúvidas disso", assegura Daniel, ao explicar que o uso de caminhões-cegonha era uma estratégia usada pelos traficantes "conforme o que o momento exigia", mas "estava caindo" com as constantes prisões.

Daniel relata que os seis acusados chegaram a Sergipe em três carros: um Toyota Hilux de placa OHG-3468/AL, um VW Fox de placa DWK-2517/SP e um GM Corsa de placa FAB-0916/SP. "Eles usaram a figura do batedor, que tinha a função de ir à frente dos outros carros e avisar se havia blitz ou não, para que os outros recuassem. Eram dois batedores que estavam na Hilux. Só que, durante a investigação, já havíamos identificado todos os envolvidos e conseguimos prender todos, mesmo com o batedor tentando escapar pelo acostamento", conta o delegado, ao apontar que o condutor da Hilux desviou o carro pelo acesso a um posto fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), sem sucesso.

tabletes com os 31 quilos de crack foram achados em compartimentos falsos dos dois outros carros de passeio, sendo 13 quilos no tanque de combustível do Fox e outros 18 no painel do Corsa. Os seis presos não deram explicações sobre a origem e o destino do crack, mas o delegado acredita que ele foi encomendado em São Paulo e de lá despachado para abastecer outros traficantes baseados na capital e em cidades do interior, como Propriá, Neópolis, Japaratuba e Capela. "É uma quadrilha que traz drogas em grande quantidade e as redistribui para outras quadrilhas que disseminam a droga entre os consumidores. Nós praticamente desmontamos essa parte do esquema, mas ela é ligada a outras quadrilhas", conclui Horta, indicando que outras investigações continuarão.

Todos os veículos foram apreendidos e seus condutores presos em flagrante, sendo autuados por formação de quadrilha e tráfico interestadual de drogas. Amauri já respondeu a um processo por porte ilegal de arma, enquanto Paulo, Flávio e Maiara têm passagens por tráfico ou associação para o tráfico. Ao final da manhã de ontem, os homens foram enviados para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul de Aracaju). Já as mulheres estão detidas no Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).

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