Menino de cinco anos leva um tiro na cabeça no São Conrado

É grave o estado de saúde do menino Guilherme Santana Santos, cinco anos, que foi ferido com um tiro na cabeça ao início da noite de quinta-feira, enquanto jantava na casa dos avós, no bairro São Conrado (zona sul de Aracaju). Até o fechamento desta edição, ele permanecia internado na UTI Infantil do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde foi operado e respirava com a ajuda de aparelhos.

Os familiares relatam que o menino estava sentado à mesa da sala quando ouviram um estouro vindo da cozinha e, em segunda, viram o menino caindo e sangrando muito. Os parentes saíram do local desesperados e levaram-no ao pronto-socorro Fernando Franco, no Conjunto Augusto Franco, de onde aconteceu a transferência para o Huse. Durante o dia, havia uma dúvida sobre quem teria feito o disparo e de onde ele aconteceu. Algumas informações desencontradas foram dadas por testemunhas e familiares. Alguns diziam que a arma teria partido de dentro da casa, mas as tias de Guilherme alegavam que não havia arma nenhuma.

O mistério se esclareceu no meio da tarde, quando o ajudante de pedreiro Jeovásio Rodrigues da Luz, 20 anos, tio do menino, se apresentou na 4ª Delegacia Metropolitana (4ª DM), acompanhado por um advogado, e entregou uma garrucha calibre 22 de dois canos. Em depoimento à delegada Mayra Fernanda Moinhos, Jeovásio confirmou que a arma era dele e disparou por acidente, pois caiu no chão enquanto ele a limpava.
A delegada ressalta que, ao perceber que o sobrinho tinha sido atingido, o pedreiro fugiu desesperado pelas ruas do bairro com o revólver na mão. "Quando ele passou pela igreja Católica do bairro entrou e deixou a arma dentro do templo religioso. Pela manhã, o tio do garoto entrou em contato com a família e pediu que a polícia fosse a igreja apreender o revólver", disse Moinhos. A arma foi encaminhada para o Instituto de Criminalística para ser periciada.

Ainda segundo Mayra, os policiais da 4ª DM descartaram logo a hipótese de uma bala perdida ter acertado a cabeça do garoto dentro da casa onde ele estava. "Não havia a menor hipótese disso acontecer, porque a cozinha da casa é fechada e não tem nenhum buraco na parede, por isso os policiais pediram para família contar os detalhes e falar a verdade. Foi ai que chegou-se a versão de que o tio do menino estava limpando um revólver calibre 22, muito antigo, quando disparou um tiro acidentalmente", explicou.
Jeovásio deve responder pelos crimes de lesão corporal gravíssima, cuja modalidade (dolosa ou culposa) ainda será analisada pela delegada após visitar o menino no Huse. Também deve responder por disparo de arma e posse ilegal de arma de fogo.

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