Greve ameaça controle da dengue

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

As ações de controle da dengue em Aracaju podem ser comprometidas com a greve dos agentes de saúde e combate a endemias, que completa um mês na próxima sexta-feira. As atividades estão paralisadas por falta de negociações entre a categoria e a Prefeitura de Aracaju sobre reivindicações que envolvem condições dignas de trabalho e o repasse integral do valor de R$ 950, enviado mensalmente para cada profissional pelo Ministério da Saúde sob regulamentação da portaria 260.

Na última quinta-feira, a categoria teve reunião com a Diretoria da Saúde de Aracaju e a secretária da Saúde, Leane de Carvalho Machado. Na ocasião, ficou acertado que a situação dos agentes em greve será avaliada pela Comissão Permanente de Negociação da PMA, para que sejam tomadas as providências cabíveis para cada solicitação.

Ainda sem avanço, a greve começa a comprometer as ações de controle da dengue na cidade, o que foi pauta de discussão ontem em audiência da Promotoria dos Direitos à Saúde do Ministério Público Estadual (MPE). O órgão já informou que poderá ajuizar ação civil contra o Município, caso não seja apresentada uma solução para o impasse. Na avaliação do MPE, a greve dificulta a efetivação de ações de enfrentamento ao mosquito transmissor da doença, que atualmente está em médio risco na capital. Uma das medidas de controle é feita com a visita de agentes de endemias nos bairros, orientando preventivamente a população em relação

A greve tem a adesão de um grande número de profissionais. O MPE teme uma infestação semelhante a que ocorreu há cinco anos. De acordo com o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) produzido pelo Programa Municipal do Controle da Dengue, Aracaju apresentou um índice de infestação de 2,4, considerado de risco ou alerta. Os índices mais elevados estão nos bairros Cidade Nova (5,2) e o Santa Maria (4,2).

De acordo com a coordenação do Programa, dos 266 agentes de endemias na capital, 128 estão em greve. Em Aracaju são 256.544 imóveis para ser trabalhados pelos agentes (terreno, residência e comércio), sendo necessário no mínimo 257 agentes em campo. Atualmente, há 198 em atividade, e, desse total, 128 estão em greve, restando apenas 70 agentes de endemias para exercer as funções. O movimento grevista será avaliado em nova assembleia marcada para próxima quinta-feira.
Com a greve, também foram afetadas as visitas domiciliares que compreendem o atendimento a idosos, hipertensos, diabéticos e inspeções inerentes aos programas de zoonoses. Um dos impasses para o pagamento do beneficio é o entendimento da destinação de recursos.

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