Assassinato dentro da escola causa polêmica

O assassinato do estudante Dielson Feitosa Lima, 18 anos, ocorrido dentro da Escola Municipal Letícia Soares de Santana, bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), às 19h30 de anteontem, reacendeu a discussão sobre a segurança nas escolas e a situação da criminalidade no entorno das unidades de ensino. O rapaz, que cursava uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA), estava sentado no pátio, tomando um lanche, quando três homens entraram na escola, foram direto a ele e, imediatamente, abriram fogo. Dielson levou quatro tiros na altura do peito e caiu morto na porta de uma sala de aula, para onde tentou correr em busca de ajuda.  

A movimentação de alunos era intensa e um porteiro estava diante da entrada principal, mas, segundo o porta-voz da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Pedro Rocha, os três criminosos chegaram de surpresa e já atirando, sem qualquer chance de serem barrados. "A escola fica com o portão aberto porque sempre foi tranquila e para dar acesso a todos os alunos. O porteiro identificou que eles não eram da escola e ia perguntar quem era eles, mas estava desarmado e nem deu tempo, porque foram chegando e entrando, muito rápido. E foram direto no aluno, fazendo os disparos. Foi uma tragédia e um crime premeditado, que não tínhamos como evitar", disse o assessor.

Uma grande confusão se formou assim que o crime aconteceu, pois os alunos e professores correram para se esconder nas salas de aula ou na cantina. Mesas e carteiras chegaram a ser derrubadas, e o local onde Dielson estava sentado ficou sujo de sangue. Os matadores aproveitaram a confusão para fugir da escola. Equipes da Guarda Municipal e das polícias Civil e Militar estiveram na escola para levantar informações e isolar o local, guarnecendo o trabalho da perícia. No entanto, nenhuma pista foi encontrada sobre qual teria sido o real motivo do crime.

A família do estudante também foi ao Leticia Soares e ficaram muito chocados ao ver o corpo dele. O pai, João de Barros Lima, contou que Dielson estudava de noite e trabalhava durante o dia como carregador em uma firma que presta serviços ao Estado. Era o seu segundo dia de aulas na escola. "Meu filho não tinha motivo pra ser morto. Ele chegava do colégio e ficava em casa, só as vezes que ele saía com os coleguinhas. Ele não era metido com drogas, com crimes, com nada. Até desconheço se ele teve alguma rixa", disse ele.

Outros parentes também reclamam da falta de segurança na região e diz que as ações de bandidos são constantes. Há relatos de que, no domingo passado, dois criminosos passaram atirando contra a porta da casa de um vizinho de Dielson, deixando marcas de balas no imóvel. João de Barros afirma que a insegurança na escola e a morte do filho são tratados com descaso pelas autoridades responsáveis. "Se fosse o filho de um deputado ou de um policial, o helicóptero estaria procurando. Eu estive no local e não havia nenhuma segurança, e os diretores nem apareceram", reclama João.

O assessor da Semed alegou que o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) não permite a presença de vigilantes armados dentro das escolas de ensino médio e fundamental, e que a Guarda Municipal só poderá atuar fora das unidades de ensino. Ele disse ainda que há um projeto de vigilância eletrônica a ser implantado nas escolas da rede, mas ele ainda se encontra em fase de confecção dos editais de licitação. Já a Guarda afirma que faz um trabalho de ronda nas escolas consideradas mais problemáticas e que não havia registros de ocorrências no Letícia Soares. As aulas foram suspensas e só serão retomadas na próxima terça-feira, após o feriado do Aniversário de Aracaju.

Este foi o segundo homicídio registrado dentro de escolas da rede municipal de ensino de Aracaju. No dia 17 de setembro do ano passado, o estudante Jadson Bruno Oliveira Santos, 16 anos, levou dois tiros dentro da Escola Municipal João Teles de Menezes, no bairro Jetimana (zona norte). O crime foi cometido por outro rapaz que aproveitou as falhas na estrutura que cerca o local e entrou para matar o estudante. O crime ainda é investigado pela Polícia Civil e pode estar relacionado a uma rivalidade entre torcidas organizadas. (Gabriel Damásio)

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