Carolina Gonçalves
Agência Brasil
Pelo menos quatro ministros do governo serão convocados e um será convidado a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada ontem (12) pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. A intenção dos parlamentares é deixar claro que o Legislativo quer uma mudança nas relações com o Planalto. Na reunião de ontem do colegiado, dos 22 itens em pauta, 17 tratavam de pedidos de esclarecimentos a estas autoridades.
Partidos da oposição conseguiram manter com status de convocação os requerimentos para Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego).
"A convocação do Manoel Dias era uma necessidade", defendeu Fernando Francischini (PR), líder do Solidariedade. O deputado lembrou que o ministro já foi convidado duas vezes pela Casa. "Agora a Polícia Federal tem indícios concretos, depoimentos, quebras de sigilo que mostram que existiam fantasmas do partido recebendo valores e não trabalhando em ONGs [organizações não governamentais]", completou.
O líder do PMDB, Eduardo Cunha, explicou que a convocação do ministro das Cidades será para explicar, entre outros assuntos, a proposta que obriga o uso de simuladores de direção nas autoescolas. Segundo Cunha, a medida não é razoável e pode favorecer um pequeno grupo de empresários que produzem o equipamento no país.
Em um dos raros momentos de entendimento da sessão, o partido do governo conseguiu negociar a transformação de alguns requerimentos, que originalmente eram convocação, em convites, como foi o caso do ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele será chamado para falar sobre o regime de trabalho dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos.
Um dos principais articuladores foi o deputado José Guimarães (PT-CE), que foi líder da legenda no ano passado. Segundo ele, o governo não se opõe a prestar informações, mas convocação "tem caráter político". Para Guimarães, a base aliada precisa se recompor. "O momento é delicado e precisamos construir alternativas e pontes para que o diálogo flua. É preciso recompor isto para retomarmos os trabalhos".
A comissão também aprovou convite à presidenta da Petrobras, Graça Foster, para explicar detalhes sobre as denúncias envolvendo contratos firmados entre a estatal e a empresa SBM Offshore.


