"Precisamos reinventar novas formas de Viver Aracaju!". É assim que define a arquiteta e urbanista Ana Libório, ao lembrar a importância do planejamento do crescimento da cidade no cenário arquitetônico e urbanístico da capital sergipana, que acaba de fazer 159 anos.
Ela ressalta que o planejamento urbanístico tem como um dos grandes desafios garantir a mobilidade urbana e sustentabilidade ambiental. "É uma forma de reinventar a cidade quanto ao uso voltado a saudável mistura das funções de morar, trabalhar e lazer, e praticar o escalonamento de horários de funcionamento, afinal, hoje em dia temos tecnologias específicas para o trabalho à distância. Essas seriam medidas primordiais para acabar com o problema da mobilidade, ou seja, evitar grandes e demorados deslocamentos no território urbano. E por último àquela, mais do que óbvia, solução do transporte público de excelência", aponta.
Na avaliação da arquiteta, o planejamento urbanístico precisa ser retomado, ao mencionar que o mesmo é uma prática abandonada no Brasil há décadas, mesmo com a criação de instrumentos como o Estatuto das Cidades, aprovado em 2001.
Outra medida considerada urgente é a solução do transporte de massa. "O transporte público desumano que temos no Brasil é, hoje, a mais perversa forma de exclusão e o maior combustível de explosão, assim como foi em Paris nos bairros imigrantes. Primeiro criamos as periferias fazendo os grandes e populares conjuntos habitacionais e depois lhes dotamos de péssimos transportes urbanos. No que poderia dar esse modelo? Precisamos trazer a classe trabalhadora para morar perto do seu local de trabalho e aí teremos acabado com qualquer problema de mobilidade urbana, sem precisar construir, sequer, mais um viaduto!", destaca.
Ainda sobre o desenvolvimento da cidade, Ana Libório enfatiza que Aracaju é uma cidade ideal, no ponto certo para adotar novos modelos de crescimento e que o grande desafio é evitar repetir exemplos falidos de urbanização como Rio, São Paulo, Recife, Salvador. A arquiteta também destacou o adensamento da Aracaju tradicional, com a construção de moradias nos bairros já urbanizados como o Centro, Santo Antônio, Siqueira, Cirurgia, Salgado Filho, Grageru, Bairro Industrial, São José.
"Hoje vivemos o paradoxo de estarmos construindo duas cidades paralelas: os Jardins e a Zona de Expansão, enquanto o Centro jaz com diversos imóveis à venda e para aluguel… E com preços irrazoáveis!", critica.
Também sobre a Zona de Expansão, a arquiteta destaca que a região deveria ser considerada como área de preservação da paisagem natural da cidade. "Lá aquíferos estão sendo contaminados e o aterramento das lagoas está gestando uma catástrofe ecológica que já se prenuncia todos os anos: os grandes alagamentos. Precisamos rever urgente a sua forma de ocupação", ressalta.


