Rian Santos
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Faz tempo que o Ferraro Trio não dá o ar da graça. Os mais ansiosos já nem contavam com a oportunidade de aquecer o sangue com os grooves do terceto. A apresentação abrigada pelo Oakhill Irish Pub, contudo, foi anunciada como o pontapé inicial de uma temporada inteira de apresentações. Dedos cruzados, portanto. No que depender da trinca mais classe da música instrumental sergipana, não vai faltar calor nas noites da aldeia.
A relação mantida entre os o Ferraros e a música negra vai muito além do aparente. Não tem nada a ver com melanina. Quem nunca fechou os olhos no meio da rua, ao lembrar de um refrão, não vai entender. No entanto, algumas canções carregam tantas histórias ao longo do tempo, acabam impregnadas de tantos sentimentos diferentes que exigem um acordo íntimo, propõem um pacto de cumplicidade antes de se entregar. Rafael Jr (bateria), Robson Souza (baixo) e Saulo Ferreira (guitarra) são de casa, nunca bateram na porta antes de entrar.
Em matéria de groove, não tem pra mais ninguém. O repertório da banda é calcado num apelo saudável aos nossos batimentos cardíacos, como explica o homem que segura a onda na ponta das baquetas. "O balanço da música negra americana serve como base e linha condutora, pra gente ter uma cara, mas estamos abertos à música brasileira, ao jazz e ao rock. Está tudo muito bem dosado no nosso som".
A noite promete. O repertório é novo, mas jazzistas e rockers estão cansados de saber que, no caso da Ferraro, o tema pouco importa. Senhores de um background musical dos mais abrangentes, os músicos do terceto possuem a manha de agradar a gregos e troianos, todo mundo de queixo caído, sem nem piscar.
Ferraro Trio no Oakhill Irish Pub:
Quinta-feira, 20 de março, a partir das 22 horas


