Famílias sem teto cobram financiamento

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A manhã de ontem foi de protesto em frente à sede da Caixa Econômica Federal (CEF), em Sergipe. Aglomerados na entrada principal do órgão, dezenas de famílias associadas a movimentos populares de moradia cobravam aceleramento na construção e repasse das casas previamente previstas para as pessoas com baixa aquisição financeira. Na menor unidade federativa do Brasil, cerca de 400 famílias estão cadastradas e aptas para receber esse benefício federal, e aguardam apenas que a instituição bancária repasse o dinheiro para as construtoras. Após esses trâmites burocráticos os imóveis devem começar a ser erguidos. Entre os manifestantes havia famílias que atualmente residem no Casarão do Parque e travam uma batalha judicial com a Prefeitura de Aracaju.

Alegando não ter para onde ir com a esposa e mais dois filhos, Andrey dos Santos Lima, desempregado e que realiza bicos como segurança de festas, disse aguardar há mais de dois anos por uma promessa feita por gestores públicos e que ainda não saíram do papel. Presente no ato público, ele ressaltou ainda a necessidade da promoção de reuniões semestrais a fim de inibir que manifestações mais representativas possam ser promovidas nas intermediações da CEF. "Viemos aqui para conversar e não para causar maiores problemas. Estamos apenas questionando o porquê que essa verba está demorando tanto para ser repassada, já que o projeto já está pronto e só falta a Caixa fazer o seu papel", disse.

Compartilhando com a indagação de Andrey, o coordenador do Movimento Sem Teto de Sergipe, Gilberto Oliveira, enalteceu a constante dificuldade enfrentada pelos populares na luta pela sobrevivência. Em entrevista concedida ao Jornal do Dia o líder social citou os variados confrontos entre invasores, agentes municipais e da Polícia Militar que são ordenados pela justiça a promover a reintegração de posse. Segundo Gilberto, parte dos problemas poderia ser resolvida sem conflitos. "Só quem não passa por isso vive recriminando nossos atos. Muitas pessoas não têm ideia como é difícil manter uma família formada por quatro ou cinco pessoas com um salário que não chega nem à base do mínimo", lamentou.

Não descartando a possibilidade de articular um acampamento coletivo no pátio da Caixa Econômica, o coordenador afirmou que a paciência dos futuros beneficiados está se esgotando. Sem uma resposta positiva até a próxima sexta-feira, 11, ou que ao menos satisfaça as famílias, a tendência é que o local seja invadido ainda esse mês como forma de pressionar a superintendência regional. "A ideia não é e nem será de promover danos ao patrimônio, apenas cogitamos essa possibilidade por perceber que nossas reivindicações não estão sendo atendidas. Queremos transparência nesse tramite. De uma vez por todas, se não houver avanço iremos intensificar as manifestações", pontuou.

Resposta – Com o propósito em divulgar o posicionamento da Caixa Econômica Federal em Sergipe referente ao pleito das famílias, nossa equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da instituição e não obtive êxito. Em seguida a mesma tentativa foi promovida junto à superintendência regional, mas nenhum representante se prontificou a se manifestar. Até o fechamento desta matéria, exatamente às 18h30, nenhuma nota oficial foi distribuída.

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