Júri de acusados de atentado entra no 3º dia

Segue sem definição o julgamento do caso relacionado à tentativa de homicídio do desembargador Luiz Mendonça, em agosto de 2010. Na manhã de ontem foi a vez da juíza Olga Silva Barreto ouvir o delegado Gilberto Guimarães, que teria comandado as investigações e detenção dos réus Alessandro de Souza Cavalcante, conhecido como Billy, e Clodoaldo Rodrigues Bezerra. O tribunal de júri que também foi formado pelo promotor Rogério Ferreira da Silva e o advogado de defesa, Fernando Muniz, ouviu mais três testemunhas intimadas pela justiça sergipana. A quarta e última testemunha de defesa foi eliminada em virtude de uma quebra de incomunicabilidade após promover prévio diálogo junto ao advogado de defesa dos réus.
Durante o processo de investigação, segundo declarações do promotor, os acusados teriam confirmado participação na ação criminal que contou com o apoio do agiota Floro Calheiros (morto em abril de 2011 por policiais militares e federais da Bahia), mas assim que o julgamento teve início na última quarta-feira, 09, eles teriam voltado a declarar inocência. Segundo Alessandro Cavalcante e Clodoaldo Bezerra, eles teriam sido forçados e até torturados para assumir participação na ação criminosa. Conforme laudo pericial realizado poucos minutos após o ataque, ficou comprovado que cerca de 30 tiros foram disparados por uma escopeta e uma pistola modelo 380 contra o veículo que conduzia o desembargador e era dirigido pelo cabo Jaílton Pereira.
Em contrapartida, o promotor garante que o Ministério Público desconhece qualquer tipo de tortura e que as declarações de Fernando Muniz não procedem com a verdade. Por Rogério Ferreira foi dito ainda que existem provas que viabilizem a participação dos acusados no episódio. "Nos primeiros interrogatórios eles chegaram por diversas vezes a confirmar envolvimento, mas por algum motivo estão negando. Isso pouco vai alterar no processo. Há reconhecimento pessoal de um dos acusados por dois vigilantes na região onde alugaram a casa, então não estamos tão somente nos limitando a fazer uma imputação com base em declarações", informou. No período da tarde, documentos da perícia e depoimentos registrados na época foram apresentados à juíza.
Preocupado com o andamento judicial, Muniz chegou a questionar as testemunhas de acusação se era de conhecimento geral os disparos de arma de fogo junto aos dois réus poucos dias após serem detidos. Para o advogado de defesa, é de suma importância que o tribunal tenha amplo conhecimento dos ‘bastidores’ desse crime. "Vocês sabiam que os policiais dispararam tiros nos pés de Clodoaldo e Alessandro na tentativa de forçar que eles assumissem participação nos disparos? O que está mais que claro é que existe interesse do estado de montar um cenário para que possa acusá-los de ter participado do atentado", afirmou.
No primeiro dia de julgamento o desembargador Luiz Mendonça havia confirmado a utilização de uma pistola tipo submetralhadora com o intuito de revidar o ataque e evitar a morte dele e do respectivo motorista. O armamento estaria posicionado na parte central do veículo que era blindado, e segundo a vítima, nunca havia sido utilizado por ele. A sessão voltou a ser suspensa por volta das 17h30 e tem previsão de reinício logo mais às 8h. A perspectiva do tribunal de júri é que a sentença seja aplicada até a madrugada deste sábado, 12.

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