Não deveria ser encarado como um episódio tão banal. Mas ocorre com tanta freqüência que já não espanta mais ninguém. Na noite da última segunda-feira, durante a festa de aniversário dos 40 anos do Conjunto Tiradentes, o estampido das balas perdidas ecoou em praça pública mais uma vez. Um morto e três feridos. A polícia não tem nenhuma pista sobre a autoria e a razão dos disparos. Como sempre.
Episódio banal porque ocorrido na periferia, lugar de pobres, como as vítimas socorridas ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), único lugar para onde podem correr na hora do aperto. Pelo menos, é o que pode ser inferido dos depoimentos colhidos junto à comunidade. Segundo os moradores do lugar, a festa de muita gente ali já acabou na ponta da faca.
Há que se cobrar providências e apurar as devidas responsabilidades, portanto. Poderia ter sido evitado, uma vez que não é novidade. O nó górdio da questão, contudo, se encontra mesmo na facilidade com que as armas de fogo podem ser adquiridas, sem nenhuma exigência, em qualquer feirinha das trocas. Devidamente cumprido, o estatuto do desarmamento aprovado há mais de uma década seria suficiente para coibir a circulação desse verdadeiro arsenal. O problema é que a corrupção e ineficiência da polícia, o abandono de nossas fronteiras, largadas ao deus dará, criaram um mercado atrativo para a criminalidade.
Com uma das legislações mais rigorosas do mundo, a venda autorizada de armas de fogo não é responsável pelo alarmante índice de criminalidade que faz parte do cotidiano de todos os cidadãos brasileiros. As estatísticas relacionadas ao tema o provam. A arma que mata no Brasil, entra ilegalmente no país, sob o olhar negligente das autoridades. Estas assinam a autoria dos disparos no Conjunto Tiradentes. Mais um morto e três feridos na conta.


