Kátia Azevedo
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Cerca de 430 operários da fábrica de cimento Itaguassu Agro Industrial SA/Nassau, localizada na cidade de Nossa Senhora de Socorro, paralisaram as atividades na manhã de ontem em protesto à falta de cumprimento da empresa para implementar o programa de Participação de Lucros e Resultados (PLR).
Com a manifestação, a fábrica ficou com as atividades suspensas por cerca de 40 minutos. O protesto foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cimento, Cal, Gesso e Cerâmica de Sergipe (Sindicagese). O protesto também contou com a participação do Sindicato dos Vigilantes de Sergipe (Sindivigilante/SE).
O diretor do Sindicagese, Djenal Prado, informou que o pagamento da PRL estava previsto em acordo coletivo de trabalho para o dia 30 de abril, mas segundo ele a classe patronal decidiu alterar a data para 30 de maio, o que gerou a reação dos operários.
"No último acordo coletivo assinado pela empresa, a mesma se comprometeu a implementar o PRL/2014, o que não vem acontecendo. Não aceitamos esta situação de desrespeito à classe trabalhadora. Demos um prazo até a segunda-feira para que a empresa efetue o pagamento como foi acordado com os operários. Caso isso não aconteça vamos voltar a fechar a fábrica na terça-feira", declarou Djenal.
De acordo com informações da direção do sindicato, a implementação do Programa de PRL/2014 aconteceria ainda no ano passado, ocasião em que a empresa não havia sinalizado para o cumprimento do acordo, o que motivou nova rodada de negociações que resultou na data de 30 de abril deste ano.
Também entraram em discussão outros pontos de pauta como o reajuste salarial de 9%, cesta básica no valor de R$ 150, 00, concessão de medicamentos no valor de R$ 80,00 e de R$ 100.00 para portadores de doenças crônicas, além de adicional de turno de 13%, entre outras demandas.
Ainda segundo informações da direção do Sindicagese, as demissões representam também uma preocupação para os operários.
Segundo levantamento produzido pelo sindicato, a Itaguassu foi a recordista de desligamentos de operários entre empresas do setor no ano passado, com 18 demissões somente em 2013.
Conforme a direção do sindicato, muitas demissões ocorrem quando os trabalhadores adoecem e ao retornarem do INSS são desligados da empresa.
A direção do sindicato aponta ainda a preocupação com a ocorrência de acidentes envolvendo os operários e faz o alerta de que no Brasil, por ano, são registradas cerca de três mil mortes por acidente de trabalho. Uma morte a cada três horas.
O sindicalista destaca que todas essas mortes poderiam ter sido evitadas com procedimentos adequados de segurança.
A reportagem procurou na manhã de ontem a direção da fábrica de cimento para dar a sua versão dos fatos, entretanto funcionários da empresa declararam que no momento não havia ninguém autorizado a prestar informações sobre o assunto.


