Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Moradores e comerciantes do bairro 13 de Julho, em Aracaju, voltaram a criticar a prefeitura da capital sergipana em virtude do não cumprimento na entrega da obra de contenção de parte da avenida Beira Mar, previamente marcada para o último sábado, 10. Com o fluxo de veículos interditado sentido zona sul desde o primeiro semestre do ano passado, o comércio está prejudicado na região e muitos moradores dizem não suportar mais tantos transtornos, principalmente nos horários considerados de pico. Pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), órgão público responsável por administrar a obra, foi dito que o novo prazo para entrega é a última semana deste mês.
Conforme cálculos da própria administração municipal, o serviço público orçado em R$ 5.884.290,96 possui mais de 95% do planejamento concluído, restando apenas a rede de drenagem ser finalizada. Independente da nova data apresentada pelos gestores, muitos acreditam que o local só deve ser entregue depois do final da Copa do Mundo de Futebol que inicia a exatos 30 dias e será encerrada no dia 12 de julho.
De acordo com o médico Elias Queiroga, é preciso reconhecer que impasses administrativos contribuíram diretamente no atraso da obra da balaustrada, mas a prefeitura teria errado mais uma vez ao garantir que o serviço seria concluído dentro do prazo divulgado, inclusive, na placa de sinalização que permanece instalada no local. "Ninguém aguenta mais tanto barulho, tantos retornos para entrar em casa, tanto engarrafamento para chegar agora e o prefeito dizer que infelizmente vamos ter que aguardar mais um pouco. Podem anotar, do jeito que essa obra está andando, ainda mais com jogos da copa e os festejos juninos, isso aí só será entregue lá para o final de julho", disse.
Quanto aos transtornos causados no trânsito em virtude do bloqueio de parte da pista, a coordenação de trânsito da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU), informou que a perspectiva é que até o próximo dia 25 o órgão de fiscalização seja oficialmente autorizado a desbloquear a avenida.
Para o capitão Cledivan, essa autorização pode sair até a próxima segunda-feira. "Estamos preparados para liberar o fluxo de veículos na região, vai voltar a ser como era antes, mas para que isso ocorra, é necessário que a Emsurb nos comunique. Será feita uma vistoria rápida por nós aqui da SMTT e certamente essa liberação será promovida em poucas horas", declarou.
Independente das novas garantias apresentadas pela Prefeitura de Aracaju, a desconfiança, principalmente por parte dos vendedores permanece preocupando os micros e médios empresários. Em entrevista ao Jornal do Dia, a gerente de uma loja de roupa Denise Evangelista disse não acreditar no novo prazo devido à falta de urbanização na área do rio Sergipe que foi aterrado. Para ela, ainda falta muita coisa a ser feita.
"Vai ficar aí sem nenhuma árvore, nem um banco? E não disseram lá em fevereiro de 2013 que esse lugar seria transformado em uma praça e estacionamento? Como assim, já tem mais de 95% da obra pronta? Por isso que não acredito que em 15 dias tudo seja concluído", indagou. A planta do projeto consiste na construção de uma mureta de contenção com pouco mais de 640 metros, além de seis espigões próximos ao estuário do rio Poxim, com quase 40 metros cada.
Segundo informações apresentadas pela Assessoria de Comunicação da Emurb, a ordem judicial será respeitada e a obra entregue até o final de maio. "Realmente houve um imprevisto na execução da obra, mas o que podemos não prometer, e sim garantir, é que a decisão judicial será cumprida e que deste mês não passa. A obra realmente será entregue pela Prefeitura de Aracaju", reafirmou o jornalista Ademar Queiroz.
Sobre a falta de paisagismo no local, até à tarde de ontem o assessor disse que já estava sendo feito um planejamento para reestruturar o espaço, mas que isso só deve ser posto em prática em junho. "A nossa meta é liberar a via e concluir essa parte estrutural de proteção e segurança. Paralelo a esse trabalho já foi iniciado um estudo de como ficará a situação do paisagismo", pontuou.


