Kátia Azevedo
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As agências de atendimento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), unidades do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e núcleos do Ministério da Saúde em Sergipe estiveram fechadas durante todo o dia de ontem. Os servidores dos órgãos paralisaram as atividades em adesão ao protesto nacional para pressionar o governo sobre a retomada de negociações com as categorias.
Os trabalhadores reivindicam a reestruturação das carreiras, jornada de 30 horas semanais, paridade salarial entre ativos e aposentados, incorporação de gratificações aos salários, melhores condições de trabalho e atendimento à população, contra o assédio moral e por abertura de concursos públicos.
Em Sergipe, a paralisação foi marcada por mobilizações. Os trabalhadores se concentraram perla manhã em frente ao prédio do INSS, na avenida Ivo do Prado, onde ficaram acampados desde o inicio do dia. Em seguida, os servidores realizaram manifestação na porta do MTE, no calçadão da João Pessoa. Em frente ao prédio do órgão, os funcionários da Superintendência Regional do Trabalho exibiram cartazes que anunciavam a paralisação. Os portões que dão acesso à entrada do prédio foram fechados.
De acordo com Júlio César Lopes, secretário de Formação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência no Estado de Sergipe (Sindiprev), a adesão dos servidores do INSS ao Dia Nacional de Paralisação foi total.
Com a paralisação, as pericias médicas foram suspensas. Foram mantidos 30% dos serviços. Quem procurou as unidades do INSS, teve o atendimento reagendado para esta sexta-feira. Na porta do órgão, os manifestantes orientaram a população sobre o procedimento.
"O objeto da paralisação é pressionar o Ministério do Planejamento a abrir um canal de negociação com os trabalhadores sobre pautas urgentes que envolvem a valorização do servidor. Uma delas é a defasagem salarial. Hoje, um técnico com nível médio recebe apenas R$ 639,18. Este é o menor salário da carreira do serviço federal, o que demonstra a desvalorização do funcionalismo público", disse Júlio César Lopes, secretário de Formação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência no Estado de Sergipe (Sindiprev).
Os servidores reivindicam uma política salarial permanente, estabelecimento de diretrizes de plano de carreira, reajuste dos benefícios e condições dignas de trabalho. Júlio César destaca que os servidores são submetidos a planos de metas com gratificação produtivista que chega ao percentual de 72% da sua remuneração e não conta para a aposentadoria. "Esta situação tem gerado instabilidade emocional, adoecimento e a incerteza de uma aposentadoria que garanta qualidade de vida dos servidores", aponta.
De acordo com a categoria, os profissionais entregaram ao Ministério do Planejamento, em 24 de janeiro, uma pauta com reivindicações, mas até o momento o governo federal não abriu um canal de negociações.
A falta de avanço de negociações trabalhistas também é uma queixa entre os servidores do Ministério da Saúde e do Trabalho. Eles alegam que passam por uma profunda crise pela falta de recomposição salarial e reestruturação de carreira, sendo as categorias com o 3º menor salário do Poder Executivo na esfera federal. Na avaliação das representações sindicais, também falta de investimento do governo em concursos públicos, e em melhorias de condições de trabalho e no atendimento à população.
As manifestações realizadas ontem também contaram com o apoio de trabalhadores ligados aos sindicatos dos servidores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Federal de Sergipe (IFS), que fizeram um ato público na porta do Hospital Universitário e depois se juntaram às demais categorias no calçadão da João Pessoa.


