Grupo teria desviado mais de R$ 6 milhões em recursos

Os detalhes da "Operação POP" foram revelados ontem à tarde em entrevista coletiva dada na sede da Polícia Federal pelos representantes dos órgãos envolvidos nas investigações contra o ex-prefeito Manoel Sukita (PSB). Segundo eles, o trabalho de apuração durou um ano e resultou em pelo menos cinco inquéritos policiais sobre a gestão de Sukita em Capela, entre os anos de 2004 e 2012. Algumas irregularidades foram detectadas por relatórios da Controladoria Geral da União (CGU), que encontrou problemas de prestação de contas em algumas fiscalizações da prefeitura capelense.

Os valores os prejuízos apurados não foram contabilizados ainda, mas estima-se que o prejuízo inicial ao Erário seja de R$ 6 milhões em recursos federais e estaduais, muitos deles de convênios firmados com o município. "Podemos citar como exemplo o desvio de R$ 600 mil provenientes do Ministério do Desenvolvimento Agrário para obras de esgotamento sanitário; cerca de R$ 1,225 milhão do FNDE que deveria ser usado para aquisição de ônibus escolares; além de verbas do Pnad e do Fundeb", lista a procuradora-chefe do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE), Lívia Nascimento Tinoco.

Em dois inquéritos, a PF apura crimes de responsabilidade e de lavagem de dinheiro envolvendo desvios de recursos federais de convênios da Educação, da Saúde e da Assistência Social. "Eles movimentavam os recursos em diversas contas da Prefeitura, e esses valores eram sacados dessas contas de forma sistemática, em espécie e na boca do caixa. É difícil saber o que era feito com esse dinheiro, mas as investigações indicam que ele era usado na aquisição de bens patrimoniais pelos investigados", explica o delegado Roberto Laureano Curi, chefe do Núcleo Regional de Crimes Financeiros da PF.
Outra suspeita é de que o dinheiro passava ainda por "contas fantasmas" abertas em bancos com nomes completamente desconhecidos, e por três empresas do ex-prefeito: a Sukita Automóveis, a SMV (que nem chegou a funcionar) e a Megga FM, emissora de rádio arrendada por Sukita ao Sistema Atalaia de Comunicação entre os anos de 2009 e 2013, cujo contrato já foi encerrado, e que estava no nome de Clara Miramir, irmã de Sukita.

Ainda segundo o delegado, o nome "POP" quer dizer Procedimento Operacional Padrão e se refere a uma prática que permitia a Sukita e suas parentas usar qualquer método para atingir o objetivo comum de conseguir mais dinheiro. "É uma expressão industrial e significa um determinado comportamento exigido dos integrantes de uma linha de produção, mas eles têm liberdade para agir como entenderem, desde que respeitando esses padrões. Nós percebemos que esse grupo [de Sukita] tinha condutas semelhantes na hora de lavar o dinheiro que eles podem ter lucrado dos desvios, mas havia diferenças no comportamento de cada um", disse Curi.

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