Fuga em Tobias faz governo chamar Força Nacional

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A crise no sistema penitenciário de Sergipe ganhou um desdobramento mais grave na madrugada de ontem, quando um grande grupo de detentos conseguiu fugir do Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul). Inicialmente, foi informado que 53 presos haviam saído do presídio, mas, após uma recontagem mais minuciosa, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc) confirmou a fuga de 47 detentos. Por volta de 2h, eles conseguiram quebrar os cadeados de dois pavilhões, cortar as telas de proteção e passar pelas guaritas de proteção.

Segundo a direção do Premabas, os detentos estavam detidos fora dos xadrezes, pois as celas dos pavilhões estão quebradas desde a última rebelião ocorrida na unidade, em 14 de abril. A assessoria da Sejuc confirmou que os presos usaram marretas para quebrar os cadeados e, depois, uma ‘teresa’ (corda improvisada com lençóis) para escalar as muralhas e passar pela Guarita 5, que estava desativada e sem iluminação – apesar de a energia elétrica ter sido instalada no local na semana passada. O escape só foi percebido às 3h30, quando um advogado ligou para o diretor do presídio informando que seu cliente estava do lado de fora, com a perna quebrada.

O governo afirma que a fuga é uma das consequências da greve dos agentes penitenciários, que estão parados há 11 dias e se recusam a trabalhar em presídios ocupados pela Polícia Militar – a quem acusa de usurpar as suas funções. Durante a fuga, apenas oito servidores estavam fazendo a guarda da unidade, sendo seis PMs e dois agentes ligados ao Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope). Antes da fuga, o presídio abrigava 479 detentos.

Em consequência disso, o Governo do Estado decidiu, ao fim da tarde de ontem, pedir a presença da Força Nacional de Segurança para reforçar a segurança das penitenciárias sergipanas. A decisão foi tomada durante uma reunião de emergência convocada pelo governador Jackson Barreto (PMDB) para discutir a crise dos presídios. A primeira equipe, de 60 homens, foi enviada de Brasília (DF) e desembarcou em Aracaju no final da noite, sendo distribuída pelas unidades após se apresentarem no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Em nota, o governo estadual confirmou que a Força "foi solícita e enviará tropas para Sergipe para dar apoio às ações dos órgãos de segurança do Estado, principalmente na garantia da segurança do sistema prisional".

Disse também que "está buscando formas administrativas para contratar, em caráter de emergência, mão de obra para atuar nas áreas internas dos presídios, garantindo serviços básicos, fornecimento de alimentação para os internos, visitas de familiares, acesso a medicamentos e tratamento médico, banho de sol, e outras atividades do sistema". Uma sindicância será aberta para apurar as circunstâncias do escape em massa e não se descarta a possibilidade de ter havido facilitação na fuga.

Recapturados – Durante todo o dia de ontem, mais de 60 policiais civis e militares foram enviados para fazer buscas na região, em apoio às equipes de Tobias Barreto. Bloqueios também foram montados pela polícia nas estradas de acesso à cidade e na divisa com a Bahia. Um helicóptero do Grupamento Tático-Aéreo (GTA) também foi mandado às cidades da região e fez sobrevoos para tentar localizar os fugitivos, sendo que alguns deles foram encontrados em meio a matagais. Segundo o governo, "as forças policiais continuam na região, por tempo indeterminado".

Até o fechamento desta edição, 15 deles haviam sido recapturados pela polícia, sendo oito deles ainda durante a madrugada. Parte deles ainda estava em Tobias Barreto e foi achada em pontos de ônibus e de táxi, enquanto tentavam sair da cidade. Outros cinco foragidos foram detidos em cidades como Aracaju, Lagarto, Riachão do Dantas e Itabaianinha. "Todos os PMs que trabalham nos destacamentos das cidades circunvizinhas fizeram uso do bloqueio e revistaram todos os carros que iam passando por eles. Isso nos permitiu recapturar alguns deles", disse o tenente-coronel Genival dos Santos, comandante do 7º Batalhão da PM (7º BPM).

Um dos recapturados foi Danilo dos Santos, o "Paraguai", considerado pela polícia como um dos líderes estaduais da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) – e que está preso em Sergipe desde 2007. Segundo a PM, Danilo estava com outros dois fugitivos em um táxi que estava a caminho de Lagarto e foi parado no limite entre as cidades de Riachão e Boquim. Ao ser reconhecido, Danilo teria pedido que os policiais não os prendessem, oferecendo em troca R$ 50 mil em dinheiro e uma caminhonete Toyota Hilux. Os PMs recusaram a oferta e levaram-no de volta ao Premabas, após autuá-lo por tentativa de extorsão.

Outros dois detentos foram cercados depois de invadirem uma casa no centro da cidade e tentar tomar uma mulher e uma criança como reféns. Os dois se entregaram após um cerco feito por soldados do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq).

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