Cardiologistas do HC suspendem atendimento

 Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Os cardiologistas da Unidade Vascular Avançada do Hospital de Cirurgia, referência no Estado de Sergipe em atendimento de infartos pelo Sistema Único de Saúde, suspenderam o atendimento desde ontem, alegando atrasos salariais que já duram três meses.

Segundo informações dos profissionais dadas na manhã de ontem, o hospital não está recebendo repasses de recursos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o que inviabilizou o pagamento dos médicos e de prestadores de serviços que atuam junto à unidade de saúde.
"Os médicos estão há três meses sem receber salários e 40 dias trabalhando sem contrato", disse o cardiologista Fabio Serra, coordenador da Unidade Vascular Avançada do Hospital de Cirurgia. Ele conta ainda que o pagamento estava previsto em acordo firmado entre a prefeitura e o HC em audiência realizada no mês passado no Ministério Público Estadual.

Segundo informações do médico, os cardiologistas somente retornam ao trabalho após a situação ser regularizada. Ele disse também que o último contrato venceu no dia 10 e a SMS não renovou o contrato e que diante da situação a unidade não tem como continuar a oferta do serviço. "O Hospital Cirurgia é o único credenciado para realizar cirurgias cardíacas através do Sistema Único de Saúde. São cerca de 60 pacientes por mês", ressalta.

O médico destacou ainda que o convênio é renovado anualmente, mas que desta vez foi programado um pagamento, mas não concretizado. As informações foram rebatidas pela assessoria de comunicação da SMS, que alega que não houve retenção de repasses e nem suspensão de contrato. Ainda segundo a assessoria, a secretaria está cumprindo o prazo acordado no MPE com pagamento referente a uma dívida de 2012 em três parcelas até o final dos meses de julho, agosto e setembro.  
"O contrato está passando por revisão, mas não foi suspenso e nem cancelado e os repasses estão sendo feitos normalmente", esclareceu Alexandra Britto, assessora de comunicação da SMS. Ela destacou ainda que o contrato da SMS é feito diretamente com o HC, sendo uma responsabilidade do hospital as relações que o mesmo estabelece com prestadores de serviços disponibilizados pela unidade de saúde.
A assessora informou também que a SMS não foi comunicada oficialmente sobre a paralisação dos serviços no hospital. Outra informação é que pela manhã a direção do HC esteve na secretaria e conversou com o setor jurídico do órgão para fazer ajustes de cláusulas do contrato.

Esta não é a primeira vez que os cardiologistas do hospital paralisaram as atividades alegando falta de repasses. No mês passado, os médicos suspenderam as cirurgias por três dias até a regularização de pagamento. Na ocasião, a Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia cobrava da secretaria o pagamento de passivos correspondentes a serviços prestados pela unidade de saúde e que somente receberia novos pacientes do SUS após a regularização dos repasses, mas de acordo com a planilha analisada pela SMS, os valores eram divergentes. Na ocasião, segundo explicações da SMS, as dívidas que estão sendo cobradas, em grande parte, são de 2012 e metade dos valores apresentados na planilha do hospital não tem comprovação.

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