Milton Alves Júnior
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Um edifício de quatro andares desmoronou na madrugada de ontem, em Aracaju, e pode ter vitimado quatro pessoas que estavam dormindo no momento do sinistro. Entre as vítimas estaria uma família formada por duas crianças, uma mulher e um homem. Todos dormiam irregularmente no imóvel que estava em fase de acabamento. Na tentativa de resgatar os quatro ocupantes ainda com vida, desde as 2h30 equipes especializadas do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), Defesa Civil estadual e municipal, e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizavam buscas com o auxílio de cães festejadores. O edifício ficava localizado na Rua Poeta José Sales de Campos, bairro Coroa do Meio.
Conforme declarações de comerciantes que presenciaram o momento exato da tragédia, barulhos de bloco caindo e rachaduras nas paredes foram ouvidos segundos antes de toda estrutura, de aproximadamente 12 metros vir a baixo. Às 5h30 o local já havia sido totalmente isolado e apenas agentes civis, engenheiros, peritos, meios de comunicação e testemunhas tinham acesso ao espaço. Equipamentos para ajudar na quebra de pilastras de concreto e retroescavadeiras foram utilizados em toda a ação. Restando apenas o acabamento da instalação de pastilhas decorativas, a perspectiva era que o imóvel fosse entregue em agosto ou setembro próximo.
Sem acreditar no ocorrido, o empresário Fausto Bonzano Villar disse ter se dirigido ao local minutos depois da confirmação do desmoronamento. Despreocupado com fatores judiciais, o ex-futuro morador declarou ‘sorte’ e ‘presença de Deus’, pois, caso o fato ocorresse em três meses, mais de 30 pessoas poderiam ser vitimadas. "Já pensou se esse prédio desaba em outubro ou novembro? A tragédia seria ainda maior para nós sergipanos. Fico triste com essa notícia lamentável da morte de quatro pessoas, acredito que uma família, agora é olhar para a frente, identificar as causas, culpados, e buscar nossos direitos como contratante", disse.
Devidamente licenciada pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), a obra tinha pouco mais de dois anos de iniciada e conforme informações apresentadas pelo comunicador Ademar Queiroz, o engenheiro deve ser interrogado a fim de detalhar como o prédio era construído. Segundo o secretário municipal de Infraestrutura, Luís Durval, toda a responsabilidade do colapso é da construtora e engenheiro, em virtude de todas as determinações legislativas terem sido respeitadas. Questionado quanto as possíveis causas, Durval preferiu se precaver de avaliações precipitadas e apenas confirmou a falta de qualificação profissional e material para que o imóvel fosse construído e entregue aos moradores de forma segura.
"Antes de pronunciar oficialmente sobre as causas dessa tragédia, eu prefiro aguardar que o resultado da perícia seja concluído pelos peritos. É fato que houve uma clara ausência de cuidado e profissionalismo redobrado, mas deixemos que os estudos apontem as reais causas. Enquanto isso, estamos aqui garantindo todo o apoio possível por parte da Prefeitura de Aracaju", declarou. A causa do desabamento será investigada e o laudo deverá ficar pronto em até 30 dias. Pelo Comando Geral do CBM, 35 militares da corporação foram designados para trabalhar na retirada dos escombros e resgate de vítimas. Técnicos do Ministério Público Estadual (MPE), também auxiliam nas investigações.


