Lições tiradas da Copa

* Rômulo Rodrigues

Nas comemorações pela conquista da copa os jogadores alemães (Klose, Schürrie, Mustafi, Gotze, Waidenfeller e Kroos ) subiram no palco imitando macacos, andando quase de cócoras, e gritando: assim andam os gaúchos. Depois se ergueram e gritavam: assim andam os alemães.

No dia da conquista do quarto campeonato, não é tetracampeonato, 13 de julho, iniciamos a 15º caminhada em peregrinação a Sant’ana, saindo de Currais Novos a Caicó, RN, num percurso de 90 Km.
Já na noite anterior, na concentração, deu para notar o amplo favoritismo do grupo na torcida pela vitória da seleção germânica e todo o antagonismo aos nossos hermanos argentinos.
Por diversas vezes tentei argumentar em favor de uma torcida pelos vizinhos sul americanos, sem sucesso. De nada valeu falar de Holocausto, do Nazismo e do ódio racial que eles ainda guardam contra outros povos.
Como se tratava de um encontro de devotos, cheguei a apelar para as diferenças entre os Papas Bento e Francisco e não adiantou nada, assim como não adiantaria recorrer ao prefácio de Darcy Ribeiro no Livro de

Manuel Bomfim; América Latina, males de Origem.
Vida que segue agora no pós copa, tomo conhecimento do comportamento comemorativo dos jogadores alemães e vejo que minhas razões eram pertinentes e que nossa América Latina há de continuar nos enchendo de orgulho e que por muitos anos haveremos de bradar; Che, Zumbi, Antônio Conselheiro, na luta por justiça somos companheiros.

Como nos ensina o sempre atual provérbio chinês; " Nas vitórias e nas derrotas só tiram lições os sábios, e por isso são sábios, e só não tiram lições os burros e por isso são burros" fui atrás de lições e as encontrei na mesma página onde estavam as ofensas dos alemães.
E lá estava a constatação da grandeza do nosso povo e do nosso continente. Aqui mesmo no nordeste a presidenta Dilma comandou a criação de um Banco dos países emergentes para financiar projetos de infra-estrutura, o que obrigou o FMI a pedir arrego para ser parceiro e "ajudar" a preservar a estabilidade financeira internacional.

Só para dar uma canja aos que insistem em manter o complexo de vira-lata, o tal FMI que vivia dando as cartas na nossa Economia, há coisa de 11 anos passados, hoje vive de praticar agiotagem nas falidas economias européias e quer ver se arranja algum reforço de sobrevivência se escorando na liderança do Brasil nos Bric’s e no Mercosul.
Os Bric’s têm hoje 19% do PIB global. O grupo criado há dez anos teve no período um crescimento do PIB que variou de 3 trilhões de dólares para 13 trilhões de dólares, ou seja, 10 trilhões de dólares numa média de crescimento de 7% ao ano, enquanto a toda poderosa Alemanha  cresce a taxas menores do que 2%, quando cresce, tendo crescido apenas 0,4% no ano passado.
A grande imprensa internacional e a daqui, como fizeram com o não vai ter copa, insistem em anunciar a falência do bloco ignorando propositadamente os fatos reais que apontam na direção oposta.
A coincidência dos dois fenômenos, a criação do novo Banco e o sucesso da copa das copas, são a mais verdadeira constatação da atualidade de outro provérbio; " Os cães ladram e a caravana passa".

Ainda bem que a equação da geopolítica do mundo não será resolvida pelo placar de um jogo de futebol, por mais amplo que seja, o brasileiro pode bater no peito e dizer que enquanto a Petrobras bate recordes na produção de petróleo, a China encomendou 60 jatos E 190 da Embraer por 2,8 bilhões de dólares, o Eximbank chinês ampliou para 5 bilhões de dólares o crédito da companhia Vale e a criação do novo Banco de Investimentos recebe ampla aceitação no mundo todo, a Alemanha ganhou sua quarta copa do mundo.
A presidenta Dilma fiel ao seu estilo de construir conjuntura favorável aos interesses populares, aproveitou o grande momento para defender que os movimentos populares sejam ouvidos nas decisões a serem tomadas no novo Banco. Essa é a diferença.

Rômulo Rodrigues é militante político 

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