Mílton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
‘Improvável Poética’, uma obra de poesias do ex-governador Marcelo Déda Chagas (1960-2013), foi lançado ontem à noite no Museu da Gente Sergipana, centro de Aracaju. Prestigiada por gestores públicos, amigos e familiares, a solenidade oficializou também para a fundação do Instituto Marcelo Déda (IMD), cujo objetivo é reunir documentos, discursos e fotografias do político e advogado, que morreu em 2 de dezembro do ano passado, após uma longa e dolorosa luta contra o câncer. Paralelo ao conjunto de obras literárias de Déda, o instituto chega para reforçar e qualificar a cultura regional.
Apaixonado pela MPB, música clássica e os trabalhos dos artistas locais, Marcelo Déda reuniu suas filhas e a esposa, Eliane Aquino, para debater as dezenas de imagens registradas Sergipe à fora, e quais poemas seriam publicados nesse primeiro livro, ainda quando estava em tratamento. Entre esses textos, estão homenagens dedicadas a amigos de luta durante o período estudantil e eleitoral, como o jornalista e escritor Cleomar Brandi (1946-2011). Um dos destaques do livro, ‘A Loba’ é uma produção textual contida na exigente seleção literária de Déda.
Para Eliane, o 23 de julho marcou para sempre no calendário cultural de Sergipe e na vida de toda a população. Emocionada, a foto jornalista e ex-primeira-dama ressaltou a necessidade em criar o IMD, que sempre foi um desejo do líder maior do Partido dos Trabalhadores em Sergipe. "Antes mesmo de ter ficado doente, Marcelo sempre se mostrou interessado em criar esse instituto que leva o nome dele não para se promover, e sim, fortalecer as raízes culturais de todos os sergipanos. Quem conheceu Déda, sabe da paixão dele por este segmento", disse.
Participando do evento, o governador Jackson Barreto (PMDB) disse ser um gestor privilegiado por ter recebido o cargo de uma figura como Déda. Para Barreto, Sergipe perdeu um grande político e símbolo familiar, mas começou a contar, desde ontem com mais um ilustre cidadão imortal. "Nesta noite de duplo lançamento, tenho plena convicção que nosso irmão Marcelo Déda está muito feliz. Hoje nós passamos a contar com um instituto que com a força do povo sergipano e da linda família de Déda será importantíssimo para a nossa cultura. O instituto é um presente que todos fomos agraciados", disse.
Caravanas de diversos municípios foram registradas no museu. Um grupo de amigos de Simão Dias, cidade natal do homenageado, disse não ter motivos para perder a noite tida por eles como ‘histórica’. Entre os prestigiadores, estava o agricultor Antônio Brasileiro dos Santos. "Escolhi minha melhor roupa para poder participar da festa. Comprei meu livro, vou ler e depois guardar com muito carinho. Déda foi um exemplo de cidadão nordestino que se preocupa com nosso dia-a-dia", declarou. Bem humorado, Seu Antônio mandou um recado: "Não vou emprestar meu livro, se alguém quiser ler que vá lá pra minha casa e fique na cozinha lendo os poemas".
Diante da grande quantidade de documentos deixados por Marcelo Déda, a perspectiva por parte do IMD é que outras obras sejam lançadas em um futuro próximo. Ainda segundo Eliane, essa é a principal maneira de valorizar o maior legado deixado pelo gestor público. "Sem sobra de dúvidas o maior legado deixado por ele foi esse dom com a oratória e esse desejo de mudar a vida de todos para melhor, em especial, através da cultura. O Instituto Marcelo Déda foi criado para ajudar nesse desenvolvimento e certamente outros livros serão publicados", afirmou.


