Gabriel Damásio
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A Polícia Civil apresentou ontem o segundo acusado de envolvimento com a morte do comerciante Juracir Santos Rocha, 49 anos, vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no dia 22 de julho deste ano em sua residência, na Atalaia (zona sul de Aracaju). Marcos Vinícius Santos Prado, o ‘Neneco’, 18, ex-interno do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), foi preso no último domingo por agentes do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb), em cumprimento a um mandado de prisão expedido pela Justiça. Ele foi identificado como um dos bandidos que deram apoio a Jeferson Ribeiro Tavares, 19, apontado como autor dos tiros que mataram a vítima.
‘Neneco’ estava dormindo em uma casa no bairro Coroa do Meio e, após ser preso, foi reconhecido por testemunhas do latrocínio de Juracir e de outros assaltos ocorridos na região da Atalaia e da Coroa do Meio, pelos quais também era investigado com base em denúncias anônimas. Segundo o delegado Fábio Pereira, chefe operacional da Coordenadoria de Polícia da Capital (Copcal), o ex-interno ainda atuava no tráfico de drogas. "Ele foi apreendido em dezembro passado, com várias ampolas de cocaína. Algumas denúncias que nos chegaram davam conta de que ele anunciava toque de recolher nos bairros e impunha medo aos moradores, por causa da forma como ele agia", disse ele.
O delegado confirma ainda que ‘Neneco’ também confessou ser autor de seis assassinatos ocorridos nos bairros Coroa do Meio e Santa Maria, os quais foram cometidos quando o acusado era menor de idade. "Marcos detalhou todos os crimes praticados, a exemplo de quem foram os seus comparsas, motivação, arma utilizada, lugares realizados e afins. Ele já deu esse depoimento para o Departamento de Homicídios que vai retomar esses casos que foram citados. Então, ele tem uma vasta ficha criminal, embora tenha completado 18 anos apenas agora em julho, poucos dias antes do latrocínio", conta Fábio.
Ao ser apresentado, Marcos disse poucas palavras e respondeu a quase todas as perguntas com uma frase: "Fazer o quê, né?". Entretanto, admitiu os seis assassinatos, alegando que três deles motivados por desentendimentos no próprio bairro e outros três pela rixa entre torcidas organizadas do Sergipe e do Confiança – ‘Neneco’ fazia parte de uma delas.
No carro – Sobre a morte do comerciante, o acusado admitiu ser o responsável por ceder o Fiat Uno branco usado no crime. As investigações da polícia confirmaram que o carro foi alugado por um tio de Marcos, que depois emprestou o veículo para o sobrinho. Este, por sua vez, decidiu fazer assaltos com seus dois parceiros. Um deles é Jeferson, preso quatro horas depois do crime em uma casa na Coroa do Meio, onde o Uno foi encontrado. O outro foi identificado como Carlos Alberto Braga Júnior, o ‘Júnior Batista’, considerado foragido e também investigado por outros assaltos.
"Marcos conta que, ao rodarem pela região, passaram pela residência do comerciante, na Rua Fernando Sampaio, e, ao visualizarem um casal saindo da casa, anunciaram o assalto. De forma fria e mesmo com o comerciante rendido, Jéferson desferiu dois tiros, sendo um na cabeça e outro quando a vítima já estava caída", relata o delegado Fábio Pereira. ‘Neneco’, por sua vez, Marcos alegou que o crime não foi planejado. "Foi coisa de momento. A gente ‘tava dando um rolê com os caras’ (sic) e decidiu fazer [o assalto]. Eu só estava no carro. Nem sei quem atirou nele", disse ‘Neneco’, referindo-se aos comparsas.
Juracir, que fornecia para bares e restaurantes das praias de Aracaju, levou dois tiros e morreu às 3h45 da madrugada, quando ele e a esposa preparavam-se para viajar até o sítio de sua propriedade, no interior da Bahia. Uma televisão de LCD de 50 polegadas foi levada da casa e igualmente apreendida com Jeferson. Agora, a polícia está concentrada na busca por ‘Júnior Batista’. Informações sobre seu paradeiro podem ser repassadas para o Disque-Denúncia (181).


