Avião que caiu em Sergipe era registrado como experimental

CURIOSOS OBSERVAM RESTOS DA AERONAVE DE PEQUENO PORTE QUE CAIU EM MILHARAL NA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE MACAMBIRA (Redes sociais)

Milton Alves Júnior

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que a aeronave de matrícula PU-SBC, do modelo ultraleve Mistral, fabricado em 1994 pela Ultraleger, era registrada como experimental e de construção amadora. Conforme oficializado pelo Corpo de Bombeiros, na manhã da última quarta-feira, 17, Orácio José dos Anjos, de 61 anos, morreu após a queda da aeronave monomotor na zona rural do município de Macambira, a 74 km de Aracaju. O plano de voo indica que a aeronave havia decolado do Aeroclube de Aracaju por volta das 11h35, com destino a cidade de Fátima (BA). Inicialmente, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE) havia informado que duas pessoas tinham morrido na queda, conforme apurado com o proprietário do local onde a aeronave caiu.
De acordo com a Anac, o enquadramento de construção amadora é concedido a aeronaves cuja maior parte do processo de montagem tenha sido realizada por pessoas físicas para uso privado, recreativo ou educativo, sem finalidade comercial. Nessa categoria, a Anac não realiza o processo tradicional de certificação aplicado à fabricação industrial em série, como ocorre na aviação comercial. O registro é concedido com base na responsabilidade técnica declarada pelo construtor e na vistoria da aeronave. Segundo a Anac, o voo experimental é uma operação aérea destinada a aeronaves que não demonstraram, por meio de testes ou simulações, os níveis de segurança exigidos para as operações mais frequentes na aviação civil. Por isso, sua operação é permitida apenas sob condições restritas e controladas.
Segundo o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC), é vedada a utilização da aeronave para táxi aéreo, transporte remunerado de passageiros ou serviços aéreos especializados contratados. Sobre a habilitação e CAVE, todo piloto deve possuir habilitação válida e a aeronave precisa estar cadastrada no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) e com o Certificado de Autorização de Voo Experimental (CAVE) em dia. No que se refere à limitação de espaço aéreo, as áreas de operação são delimitadas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) de modo a mitigar riscos a terceiros em solo. No quesito responsabilidade, o voo ocorre por conta e risco do operador e de seus ocupantes. Condutas que ponham terceiros em perigo podem acarretar penalidades administrativas e criminais previstas na legislação brasileira.
Amigos e familiares sepultaram na manhã de ontem o corpo de Orácio José dos Anjos. Amigo da vítima fatal, Fábio Reis destacou que cresceu junto com Otávio e sempre se deparou com relatos sobre esse sonho de voar. O piloto era natural de Cícero Dantas (BA) e morava em Fátima (BA), com a esposa e três dos quatro filhos. Empresário, Otávio possuía um apartamento em Aracaju e era proprietário de uma funerária. “Chegamos a trabalhar juntos em Cícero [Dantas] e me recordo que desde a infância ele apresentava interesse pela aviação. Não apenas amor por pilotar, mas também por dar aulas para jovens que estavam ingressando nessa área. Me disperso do meu amigo, mas com a certeza que ele partiu fazendo o que gostava”, afirmou.

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