Comerciantes estão pessimistas com Dia dos Pais

Vendas reduzidas voltam a interferir no crescimento econômico do Estado de Sergipe e apontam o Dia dos Pais deste ano como um dos menos lucrativos das duas últimas décadas. Com apenas 0,3% de crescimento proporcional se comparado ao mesmo período de 2013, a data comemorativa pode ser resumida em fatores críticos que transparecem a vulnerabilidade comercial da Grande Aracaju. Nos polos comerciais da capital sergipana é possível se deparar com lojas que permanecem com pouco movimento de consumidores, e com vitrines expondo promoções com até 60% de desconto nos pagamentos a vista. A perspectiva por parte do setor varejista era de até 1% de aumento nas vendas se comparado ao ano passado, e 6% se comparado a 2012.

Diante de possíveis prejuízos, empresários ‘torcem’ por um sábado agitado e de muitas vendas. Paralelo aos descontos que agradam os consumidores, as facilidades nas compras tendem a contribuir pela ascensão das vendas. Durante a tarde de ontem o movimento nos calçadões das ruas Laranjeiras e João Pessoa, em Aracaju, foi pequeno e os lojistas apontam a instabilidade climática como fator que ajuda a interferir nas vendas. De acordo com o gerente lojista Emerson Junqueira do Nascimento, o temporal que atinge Sergipe desde a última quinta-feira, 07, tem contribuído para que a população evite se deslocar até o Centro a fim de realizar compras. A inadimplência é outro fator que impacta negativamente no setor.
"De um lado tem o grande número de pessoas que gastaram muito durante a Copa do Mundo até o Brasil ser eliminado, e do outro o clima que não nos ajuda. A nossa meta para esse Dia dos Pais já não era das mais favoráveis e pra completar as chuvas não estão nos ajudando em nada. A nossa expectativa é por uma mudança significativa nesse final de semana", disse.

Conforme previa avaliação apresentada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), já era esperado que este período festivo não surpreendesse positivamente os vendedores. Considerada a quinta data mais lucrativa do ano, seria ‘difícil’ o Dia dos Pais superar as vendas do Dia dos Namorados e Dia das Mães, por exemplo.
Pelo presidente da CDL, Samuel Schuster, foi enaltecida a precariedade comercial de todos os estabelecimentos em atividade este ano. Segundo o especialista, talvez as vendas voltem a apresentar avanço a partir do Dia das Crianças. "Depois que registramos as principais datas com movimento baixo durante o primeiro semestre, já sabíamos que esse Dia dos Pais seria difícil. Mesmo com a previsão irrisória de 1%, não conseguimos ainda alcançar essa meta", lamentou.

Os artigos mais procurados nesse período estão nas lojas de calçados, vestuário, artigos esportivos, perfumaria e livrarias. Para o economista Enilson Salomão, o atual momento financeiro do país não é propício para apostas em grande escala lucrativa. "É preciso ter cautela e agradecer a esses setores pelo aumento insignificante de 0,3%. Se a situação não é das mais favoráveis para o setor comercial no Brasil, este poderia ser pior caso o próprio brasileiro não fosse tão obcecado por sapatos, roupas e livros", apontou.
Dados dos registros do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revelam um crescimento diferente no Dia dos Pais de anos anteriores quando foram registrados 3,78% (2013), 4,75% (2012); 6,86% (2011) e 10% (2010). Esses números levam em conta as vendas parceladas realizadas na semana que antecede o Dia dos Pais, entre 3 e 10 de agosto.

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