Gabriel Damásio
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Uma quadrilha investigada pela Polícia Civil sergipana pode ter roubado mais de R$ 5 milhões em cargas de caminhão, apenas nos últimos três meses, em pelo menos 15 assaltos realizados nos estados de Sergipe, Bahia, Goiás e Minas Gerais. Esta é a conclusão dos policiais do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), que, para prender os integrantes do grupo e recuperar objetos roubados, deflagraram a "Operação Falso Corsário", cujos detalhes foram revelados ontem em coletiva de imprensa.
Dois dos acusados nos roubos foram presos na sexta-feira passada por policiais de Sergipe e da Bahia: o sergipano Arnaldo Alves da Silva Júnior, 34 anos, foi detido em Salvador, enquanto o paranaense Haroldo José Amaral, 48, estava em Lauro de Freitas, vizinha à capital baiana. Com eles, a polícia achou chaves de veículos roubados e notas fiscais de cargas igualmente roubadas, além de dois bloqueadores de sinal rastreador veicular e aparelhos de GPS que eram retirados do sistema de rastreamento via satélite dos caminhões. Ao todo, cinco carretas roubadas pela quadrilha, além de algumas mercadorias, foram recuperadas em galpões de Aracaju, Salvador e nas cidades baianas de Simões Filho e Irará.
Toda a investigação começou há cerca de três meses, quando foi registrado um aumento no número de roubos e furtos contra caminhoneiros. Em um dos casos, ocorrido em maio, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu, em Itaporanga (Sul), dois paulistas que também faziam parte do bando: Adriano Costa de Souza, o ‘Cupim’, e Alexandre Alves de Oliveira, o ‘Duda’, que apresentou um documento falso ao ser preso. Na ocasião, eles estavam com um caminhão Volvo FH que transportava uma carga de cerveja na BR-101 foi abordado em Umbaúba (Sul). Também foram apreendidos várias placas clonadas de veículos, giroflex e outros bloqueadores de sinal, entre outros objetos.
De acordo com o delegado Hildemar Lima Rios, do Cope, a suspeita é de que o bando agia há mais tempo em Sergipe, o que pode aumentar o total do prejuízo com os roubos. "Neste período de três meses, nós identificamos que a quantia se aproxima de R$ 5 milhões, se somados os valores dos veículos e das cargas roubadas pelo grupo durante a nossa investigação. Porém, um dos veículos que eles usavam foi roubado aqui em Sergipe no mês de outubro de 2013. Se for apurado o período de um ano ou mais, esse prejuízo vai ser muito maior", avalia o delegado, que convocou novamente as vítimas de todos os roubos de carga ocorridos no Estado desde o ano passado, para que elas façam o reconhecimento dos acusados presos.
Os assaltos – As investigações mostraram que os ladrões fingiam ser policiais civis e federais para parar os caminhões. Após render os motoristas, eles ficavam com os veículos, enquanto outra parte do bando mantinha a vítima como refém em algum matagal. Era o trabalho executado por Alexandre, Haroldo e Adriano, junto com outros comparsas ainda foragidos. Daí, surgiu o nome "Falso Corsário", referência às grandes navegações dos séculos XIV e XV, nas quais corsários eram autorizados pelos reinos europeus a abordar e atacar navios de outras nações.
"Geralmente, os motoristas eram mantidos reféns por horas, aguardando a carga roubada sair do Estado onde foi subtraída ou até que fossem levadas para algum galpão da quadrilha ou até mesmo ser repassada para os receptadores. Quando queriam ficar com os caminhões, eles desmontavam todo o rastreamento eletrônico dos veículos, adulteravam os dados e os revendiam por um preço bem abaixo do valor de mercado", disse o delegado. Os alvos, por sua vez, eram cargas como ferro, cimento, bebidas alcoólicas, máquinas, equipamentos, bandagens de pneus, tintas, tubos e até uma usina produtora de asfalto avaliada em mais de R$ 600 mil, que foi roubada em Goiás e achada em Esplanada (BA).
"O Arnaldo era o responsável pela venda e distribuição dos produtos roubados. Na qualidade de responsável pela comercialização, na maioria das vezes era ele quem definia o que deveria ou não ser roubado, quando e onde. Era ele quem definia qual o tipo de mercadoria que deveria ser roubada. E essa definição era feita a partir de três critérios: o valor da carga, a facilidade de venda e distribuição da carga e a dificuldade de rastreio", revela Hildemar.
Agora, a polícia procura por um quinto acusado ainda foragido: Marco de Jesus Marinho, o ‘Marco Careca’, que, conforme o Cope, tem 21 mandados de prisão por crimes como roubo de carga, sequestro, homicídio, estelionato, formação de quadrilha e porte ilegal de arma. "É um homem muito perigoso, que atua há muitos anos no ramo. E inclusive participou do assassinato de um delegado de polícia de São Paulo que investigava os roubos de cargas", conclui Hildemar.


