Milton Alves Júnior
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Na próxima quarta-feira, 13, servidores municipais ligados à pasta da saúde irão promover uma paralisação de 24h com o intuito de pressionar o prefeito de Aracaju, João Alves Filho, a efetuar o pagamento de gratificações de desempenho, reivindicada desde janeiro de 2013; qualificação do Sistema Único de Saúde (SUS), e a realização de uma reunião extraordinária junto aos trabalhadores. Diante da recorrente falta de diálogo entre a atual administração municipal e os servidores, médicos, enfermeiros, nutricionistas e auxiliares de enfermagem não descartam a possibilidade de manter a greve por tempo indeterminado. A paralisação será em todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), incluindo as centrais: Nestor Piva e Fernando Franco.
Ciente dos problemas que podem gerar aos usuários do sistema com a greve previamente deflagrada, José Menezes, presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindmed), enalteceu a necessidade do ato público a fim de conquistar avanços administrativos que contribuam na qualificação do serviço que é fornecido ao contribuinte. Sem apoio de parte dos vereadores e secretariado, a categoria espera que o Conselho Regional de Medicina (CRM), e a Promotoria de Direitos à Saúde, do Ministério Público Estadual, possam juntos reforçar o pleito dos trabalhadores. Os sindicalistas garantem disposição para promover um diálogo com o chefe do executivo municipal, mas criticam a maneira de o democrata debater os interesses das categorias.
"Estamos nessa espera desde que João assumiu a prefeitura em janeiro do ano passado e até agora nenhuma resposta nos foi repassada. Se chegamos ao ponto de parar os atendimentos por 24 horas é porque a situação não é confortável e precisamos urgentemente conversar pessoalmente com o prefeito", declarou.
Na última quarta-feira, 09, o contador Luciano Paes, secretário municipal de finanças, foi empossado, também, como novo secretário de saúde. Ele é o quarto gestor a ocupar o cargo em menos de 20 meses. Preocupado com a constante troca de secretários, José Menezes afirmou não ter interesse em se reunir com o atual secretario. Para ele, Paes pode não passar mais que seis meses administrando a saúde.
"Essa troca de secretários não tem ajudado ao avanço positivo da saúde em Aracaju e não queremos conversar com eles. Não nos importa se é secretário ‘A’ ou ‘B’. Nosso interesse é se encontrar e conversar com João Alves Filho. Sempre achamos que ele seria mais próximo dos servidores e o que presenciamos é uma falta de resposta e negociações quanto ao nosso pleito", pontuou.
A assembleia dos servidores está marcada para ocorrer na quarta-feira, a partir das 14h. Caso a Prefeitura de Aracaju continue sem apresentar contrapropostas que satisfaçam a categoria, a paralisação geral e por tempo indeterminado pode ser deflagrada ainda no final da tarde.
Desafios – Em entrevista ao Jornal do Dia, o secretário Luciano Paes apresentou as propostas de governo, metas a serem alcançadas, diálogo com os servidores e as atitudes administrativas que serão utilizadas para organizar a pasta. Ao ser informado sobre a mobilização dos trabalhadores uma semana após ser empossado, o secretário garantiu que vai buscar contribuir para que ambos os interessados possam registrar avanços e minimizar os problemas.
"Minha meta é organizar a saúde e contribuir para que todos os projetos deixem a teoria e partam para a prática. Entendemos perfeitamente o interesse dos médicos em querer conversar apenas com o prefeito João, mas nós da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estamos aqui disponíveis para contribuir no que for preciso", declarou.
Responsável por duas secretarias consideradas de grande representatividade e demanda, Paes disse confiar na equipe que o cerca. Questionado sobre os prós e contras ao comandar a SMS e Semfaz, o gestor declarou não ter receio de críticas e reprovou as denúncias de falta de dinheiro para a saúde. "Sou secretário da fazenda há mais de seis meses e posso garantir que a saúde tem sim dinheiro, apenas não era utilizado da forma correta. Não quero aqui dizer que havia desvio de dinheiro público, mas sim, falta de estrutura organizacional. Temos que investir com sabedoria para que o dinheiro não jogado fora, e é isso que iremos fazer", prometeu.
Para os próximos dias a perspectiva é que os trabalhadores mostrem-se ‘flexíveis’ e permitam o diálogo e participação de Luciano Paes. Interessado em dialogar com os servidores, o secretário afirmou ter realizado visitas em postos de saúde, anotado a reivindicação dos pacientes e acompanhantes. "Quero mostrar que nós da prefeitura estamos interessados em melhorar o sistema de saúde. Estamos visitando essas unidades de saúde, conversando com os servidores e população. Com sabedoria e organização vamos melhorar a saúde pública de Aracaju, essa é uma garantia nossa", pontuou.


