Alana Gandra
Agência Brasil
A redução à metade do número de eleitores jovens no Rio de Janeiro, divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RJ), acompanhou a tendência nacional destas eleições e significa um sinal de alerta para a democracia brasileira, segundo avaliou, em entrevista à Agência Brasil, o cientista político Júlio Aurélio Vianna Lopes, da Fundação Casa de Rui Barbosa.
De acordo com dados divulgados pelo TRE-RJ, o número de eleitores aptos a votar no próximo dia 5 de outubro no estado, em todas as faixas etárias, evoluiu 2% em comparação à eleição de 2012, atingindo 12.141.145 pessoas. No entanto, entre os jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, houve queda de quase 50% em termos proporcionais, nesse período. Os eleitores dessa faixa etária somam 75.487, o correspondente a 0,52% do total do eleitorado, enquanto em 2012 o número era 117.988 (alcançando 0,99% do total).
O levantamento do TRE-RJ se baseia em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e segue a tendência encontrada no restante do país. De acordo com o TSE, o número de eleitores jovens com voto facultativo também diminuiu em todo o Brasil, passando de 2.913.789 em 2012 (2,07% do total) para 1.638.751 em 2014 (1,15%).
Júlio Vianna Lopes disse que, como se trata de voto facultativo, a análise deve considerar que o fator principal na evolução desse tipo de voto é sempre a motivação do eleitor. "A rigor, o que há é a menor disponibilidade dos jovens que receberam o direito do voto facultativo". Isso acende um sinal de alerta, destacou.
Combinando esse dado com o fato de que, nos movimentos populares ocorridos em junho do ano passado, a ampla maioria era formada de jovens de 14 anos até 30 anos de idade (mais de 80%), o cientista observa que há um descolamento dos cidadãos mais jovens da democracia brasileira. "É grave, mas isso não indica que esse segmento da população esteja sendo galvanizado por orientações políticas autoritárias. Não se trata de nostálgicos da ditadura ou de neonazistas", avaliou.
O cientista político indicou que o sistema democrático brasileiro não tem sido atraente para os eleitores, em especial os que estão na faixa dos 16 e 17 anos. "Isso está comprovado, porque há um afastamento do sistema democrático formal e um fortalecimento de formas alternativas de participação política, como a ocupação de ruas".


