HPM tem leitos de enfermaria e até UTI ociosos

Um hospital pronto para atender os servidores estaduais, mas que praticamente não funciona. Essa é a realidade do Hospital da Polícia Militar (HPM), localizado no bairro 18 do Forte, em Aracaju.
A denúncia foi realizada pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed/SE), que informou ainda que pacientes que procuram a unidade precisa se deslocar para outro hospital a fim de obter atendimento médico de alta complexidade.
Segundo o presidente do Sindimed, João Augusto Alves, o Hospital tem estrutura completa, a exemplo de enfermaria, ambulatório e até oito leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no entanto, é pouco utilizado. Dos 62 leitos da enfermaria, apenas 25 são usados. Salas, leitos e corredores vazios são o que se vê no dia a dia da unidade de saúde. O espaço hoje oferece apenas clínica médica, pediatria e cirurgia geral.
"Estão mantendo a estrutura dos oito leitos de UTI do HPM e ainda assim estão contratando vagas de UTI na rede particular para onde o usuário do Ipes é direcionado quando necessita e há casos que são encaminhados ao Hospital de Urgência de Sergipe. O questionamento que fica é, se ele é usuário de um plano de saúde, mas é levado ao Huse para que pagar mensalidade?". O sindicalista denunciou que há leitos contratados nos hospitais Cirurgia, São José, Santa Izabel, Renascença e Primavera.
Ainda de acordo com o Sindimed/SE, a média preconizada pelo Ministério da Saúde é de menos de dois leitos de UTI para cada mil habitantes. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, em 2013 Sergipe estava abaixo dessa média, ficando entre os 20 estados de maior déficit do país.
Para João Augusto o Governo do Estado precisa tomar providências. "O HPM é da Polícia Militar e a Polícia é do Governo, então é quem deveria dar uma gestão bem direcionada. O desejo do Sindicato é que a unidade de saúde se transformasse em um hospital do servidor estadual", colocou o presidente do Sindicato.

HPM – Chefe da 5ª Seção da Polícia Militar, o tenente-coronel Paulo César Paiva informou que a situação realizada pelo Sindimed é pré-existente. "O HPM é um hospital de média complexidade, e por isso a lei não exige que haja UTI". Complementou informando que o hospital não é porta aberta e que foi criado para atender policiais, familiares e membros da segurança pública e sua finalidade é de atendimento ambulatorial. Ele explicou que existe um convênio com o Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) para os casos de emergência.
João Augusto informou que a escolha pela média complexidade foi feita pelo Governo do Estado. "Eles decidiram a situação para não ter obrigação, pois antes dessa escolha, o hospital tinha atendimento de UTI", relembrou. Complementou dizendo que a necessidade do usuário não deixou de existir. "Há um ano quando a UTI foi desativada, o Ministério Público tentou reativá-los, porém sem sucesso. Cabe agora aos usuários provocarem o MP para que a situação se resolva", indicou.

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