Presos acusados de explodir cashs

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Estão presos mais três acusados de ligação com a quadrilha responsável por quase todos os ataques contra agências bancárias realizados em 2014. Entre eles, está Antônio Clivio de Santana, conhecido como ‘Té’ ou ‘Bracinho’, 44 anos, apontado como o líder e principal executor dos crimes. ‘Bracinho’ foi detido no último domingo em Palmeira dos Índios (AL), após ter participado de uma tentativa de homicídio ocorrida na cidade. Ele foi trazido no começo da semana para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil, no bairro Capucho (zona oeste de Aracaju).

O foragido sergipano foi preso no domingo pela PM alagoana, depois de tentar matar um rapaz em Palmeira dos Índios e, ao ser preso, se identificar com o nome falso de José Valdo da Silva. O preso foi desmascarado no dia seguinte, ao ser reconhecido por agentes da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) de Alagoas. Depois que a identidade de Clívio foi confirmada, o Cope sergipano foi avisado e foi buscar o detento em Maceió.

Os outros dois foram presos anteontem em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), logo após a chegada de Clívio em Aracaju. A namorada do foragido, Randaika Santos, 25, foi encontrada no loteamento Guajará, enquanto e Cássio José Mangueira Mota, o ‘Barbicha’, 36, estava próximo a um posto de gasolina no Parque dos Faróis. De acordo com o diretor do Cope, delegado Jonathas Evangelista, a ação foi para cumprir pelo menos cinco mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os acusados – três deles apenas contra Clívio.

Ontem à tarde, Jonathas confirmou que ‘Bracinho’, ‘Barbicha’ e Randaika atuaram em 12 das 16 explosões registradas até agora, além de ligações com outras 15 pessoas acusadas de envolvimento com os crimes. "Ele apenas confessou ter participado da que aconteceu em Japaratuba, mas a polícia já tem provas da participação dele em Japaratuba, Aquidabã, Ribeirópolis, Siriri e General Maynard, além de ter fornecido os detonadores e explosivos em Nossa Senhora de Lourdes. E todas as pessoas que já foram presas por explosão de caixas foram as que ele arregimentou e contratou para fazer parte da quadrilha", confirmou, acrescentando que o foragido ficava com boa parte do dinheiro roubado e pagava aos outros integrantes pelo serviço prestado nos assaltos.

Ainda conforme o delegado, ‘Té’ tinha conseguido escapar de uma primeira tentativa de prisão, entre os dias 12 e 14 de junho, quando uma operação conjunta das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal prendeu os nove primeiros membros do bando em Aquidabã, Propriá e Malhada dos Bois. Na ocasião, a polícia apreendeu 10 bananas de dinamite, um fuzil calibre 7.62, duas espingardas calibre 12, quatro carros e R$ 16 mil. "O Antônio Clívio conseguiu fugir do cerco policial e, desde então, ele transitava entre Pernambuco e Alagoas", disse Evangelista.

Outros envolvidos no assalto à agência do Banese em Lourdes, em 27 de agosto, também são ligados a ‘Bracinho’. Um deles é o ex-policial Manoel Messias dos Santos Júnior, 41, detido no conjunto Bugio (zona oeste) horas depois do ataque. Os outros são os que trocaram tiros com o Cope e o Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam), em um cerco na tarde de terça-feira no bairro Jetimana (zona norte), no qual foi morto Wesley Júnior Andrade, o ‘Pitoco’, 27. "Essas pessoas participaram efetivamente do assalto em Lourdes, do qual o Clívio não quis participar, por medo de entrar no estado e ser preso. E o Manoel foi quem fez o contato direto com Clívio para conseguir os detonadores", revela o diretor.

Randaika e Cássio também admitiram participações nos assaltos cometidos contra os bancos de Maruim e Japaratuba, respectivamente. No entanto, a polícia afirma ter igualmente provas de envolvimentos dos dois nos outros assaltos. "Randaika tinha um papel ativo na quadrilha. Em um dos assaltos realizados na Caixa Econômica Federal de Maruim, cuja investigação é da Polícia Federal, tivemos acesso às imagens do banco que mostram Randaika armada dando proteção aos comparsas", destacou Jonathas. O JORNAL DO DIA apurou que a gravação mostra a acusada manejando uma escopeta calibre 12.
As investigações continuam para descobrir o envolvimento de outros assaltantes com a da quadrilha e se houve outras explosões de caixas eletrônicos ligadas aos acusados, bem como o que foi feito do dinheiro levado das agências e postos bancários. Ao todo e até o momento, a Polícia Civil prendeu 30 assaltantes de banco que agiram em Sergipe em 2014.

Bandidos tentam levar cofre em carroça

Um cofre de cerca de 300 quilos quase foi roubado às 3h de ontem de um posto do Banese Card que funciona em anexo à sede da Câmara Municipal de São Cristóvão (Grande Aracaju). Segundo a Polícia Militar, o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) recebeu a informação de que o posto bancário estava sendo invadido por pelo menos três homens que chegaram ao local em uma carroça. Assim que os policiais chegaram, os suspeitos abandonaram os objetos no meio de um beco perto do local, desistindo de tentar arrastá-los.

"Os suspeitos conseguiram levar o colete balístico pertencente ao vigia do estabelecimento, mas abandonaram o cofre em uma ruela próxima, ao notar a presença dos policiais. Uma carroça roubada, que serviria para transportar o cofre, também foi recuperada na ocasião", relatou o capitão Alcântara, comandante da 1ª Companhia do 1º Batalhão da PM (1ª Cia/1º BPM). A ocorrência foi encaminhada ao Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), onde o cofre e a carroça foram devolvidos aos seus respectivos proprietários.

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