A manhã de ontem foi de despedida para familiares, amigos e admiradores do escritor e poeta Araripe Coutinho. Políticos, artistas e intelectuais sergipanos acompanharam o velório na unidade da Osaf da rua Itaporanga, no Centro, em Aracaju. O poeta faleceu na terça-feira, 09, em decorrência de insuficiência respiratória por causa de uma pneumonia bacteriana.
O governador Jackson Barreto participou da despedida entre familiares e amigos de Araripe e pontuou a vasta obra artística e intelectual do poeta. "É uma perda muito grande para nosso estado, para o mundo intelectual. Araripe era um homem possuidor de um carisma muito grande, um intelectual de porte, um poeta do seu tempo, um homem que marcou a vida de Aracaju com a sua alegria e sua competência intelectual. Deixa um legado grande de poesia, de muito amor e muita alegria. A gente lamenta profundamente. Vai o homem, ficam as obras, as suas poesias, a sua irreverência acima de tudo, que era a sua marca registrada. Essa é a imagem que ele deixa para todos nós: do intelectual, do homem de bem com a vida e de uma pessoa que só soube fazer amizades e deixa seu nome marcado na vida dos grandes poetas sergipanos. Deus o leve, esteja sempre ao seu lado e as suas obras aqui na terra marcarão a sua passagem", lamentou o governador.
Seu Moacir dos Santos, de 77 anos, pai de Araripe, estava abalado com a perda do filho. Segundo ele, Araripe era um bom filho, de coração bondoso e muito religioso. "Desejo que ele tenha um bom descanso", disse o pai, relembrando com saudade de quando o filho pequeno era croinha na igreja católica.
Os amigos também estavam emocionados e surpresos com a partida repentina do poeta. Com lágrimas nos olhos a amiga Fátima Soares disse que a saudade é muito grande. "Ele sabia ser presente nos momentos que mais precisávamos, ele nos surpreendia sempre. Fica a saudade. Aos poucos, tenho que digerir essa falta, essa ausência de Ará. Olhar pra redes sociais e não vê-lo mais, essas coisas, aos poucos, a gente vai ter que conviver", disse.
Para a literatura, Araripe também deixa uma lacuna. O presidente da Academia Sergipana de Letras, Anderson Nascimento, descreveu o poeta como um grande agente cultural de Sergipe. "Araripe tinha uma participação dinâmica na vida cultural do nosso estado, não apenas na poesia, mas também no jornalismo. Era um agitador cultural, como dizem hoje em dia. Às vezes irreverente, com um bom traço, uma boa escrita, um poeta regular na vida cultural de Sergipe", comentou.
A jornalista, escritora e cineasta Ilma Fontes ressaltou a importância de Araripe para a cultura de Sergipe. "Ele vai fazer falta. Perde o cenário social, literário e jornalístico. Ele foi o meu primeiro sócio em uma empreitada jornalística", destacou a amiga do poeta.
Araripe Coutinho morreu quatro dias antes de completar 46 anos. Natural do Rio de Janeiro, ele vivia em Aracaju desde 1979. Seu corpo foi sepultado no Cemitério São Benedito, ao lado do Cemitério Santa Isabel, localizado na Praça Princesa Isabel, no bairro Santo Antônio, em Aracaju.

