Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Não houve acordo na audiência de conciliação realizada ontem de manhã pelo Juizado Especial Criminal de Aracaju, entre o vereador Agamenon Sobral Freitas (PP) e a enfermeira Flávia de Oliveira Brasileiro, ex-presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese). Ela decidiu seguir adiante com o processo judicial que moveu contra o parlamentar, acusando-os pelos crimes de injúria e difamação. O motivo foi uma série de pronunciamentos e entrevistas feitas em maio deste ano, nas quais Agamenon acusava as enfermeiras de abandonar os plantões em hospitais públicos para fazer sexo com os médicos.
A reunião, ocorrida nos Fóruns Integrados do Distrito Industrial (zona sul), foi mediada pelo conciliador Adivaldo Teles Júnior e acompanhada pelos advogados de ambas as partes. Agamenon ofereceu uma proposta de transação penal, pela qual ele se comprometia a fazer uma retratação pública, desagravando a categoria. Flávia, no entanto, rejeitou o acordo e representou uma queixa-crime ao Juizado, manifestando interesse em abrir o processo. "Para mim, isto não teria validade porque ele já se utilizou disso em outras ações para dizer depois que fez acordo porque quis e que a pessoa não tinha elementos para levar a ação adiante. Então, preferi não aceitar a proposta", disse ela, em nota.
A enfermeira, hoje diretora de formação sindical do Seese, destaca que sofreu sérios constrangimentos por causa do discurso do vereador, a exemplo de um episódio no qual foi questionada pela filha, ao ouvir o pronunciamento no rádio do carro. Flávia também contesta os argumentos de defesa apresentados pelo vereador, o qual, segundo ela, tenta enveredar por outros caminhos, tentando desvirtuar o que realmente aconteceu. "Se fosse algo institucional ele teria parado há muito tempo, mas [a questão] é pessoal", destaca a sindicalista, dizendo aguardar por um pronunciamento da Justiça e do Ministério Público Estadual sobre o caso.
Com este resultado, uma audiência preliminar de instrução foi marcada para o dia 23 de fevereiro de 2015, às 8h20. O processo é um desdobramento de uma queixa contra Agamenon que foi prestada pelas enfermeiras na Polícia Civil, logo após o pronunciamento. Uma segunda queixa-crime foi entregue à polícia no mês passado por sindicalistas e representantes de movimentos em defesa da mulher, as quais acusam o vereador de incitar a violência contra as mulheres. Isto aconteceu por causa de outro pronunciamento polêmico, onde Agamenon defendeu que "uma surra" fosse dada em uma suposta noiva que teria comparecido sem calcinha a uma cerimônia de casamento. A queixa ainda é analisada pela polícia.

