Kátia Azevedo
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No acumulado do ano de 2014, o preço da cesta básica avançou em Aracaju, com variação de 13,34%. É o que revela levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que apontou ainda um crescimento inflacionário em gêneros alimentícios em 17 das 18 capitais brasileiras.
Diferentemente de Natal, única capital que apresentou queda de 1,70% nos preços de alimentos que compõem a cesta básica, Aracaju teve uma variação similar ao índice de Brasília, que acumulou uma variação de 13,79%. A pesquisa revela ainda que em dezembro, a capital sergipana apresentou os menores custos médios com a cesta básica, R$ 245,70.
Os dados do Dieese revelam que em 2014, os preços da carne bovina e do pão francês subiram em todas as cidades, enquanto o arroz e café em pó tiveram aumento em 17 localidades. Por outro lado, feijão foi o único produto que teve redução em todas as capitais e o óleo de soja, açúcar, leite e farinha de mandioca (pesquisado no Norte e Nordeste) mostraram decréscimos na maioria das cidades.
Os gêneros alimentícios mais caros no ano passado incluem, entre outros, a carne bovina, o pão francês, arroz e o café. Já o valor do óleo e açúcar sofreu queda.A carne bovina, produto com grande peso na composição da cesta básica, teve aumento em todas as localidades em 2014. Em Aracaju, o impacto da estiagem e a crescente exportação de carne encareceu o produto no mercado interno e no segundo semestre, devido à entressafra, o preço também se elevou na maior parte dos meses. Em dezembro último, todas as cidades tiveram alta em comparação com o mês de novembro, com taxas oscilando entre 1,60% em Curitiba e 8,02% em Aracaju.
A pesquisa chama a atenção para os aumentos de custos como energia elétrica que acabaram tendo impacto sobre o preço do pão. As variações oscilaram entre 2,41%, em Belém, e 23,33%, em Aracaju. O Dieese revela ainda que o novo cenário de preços foi diferente em comparação a dezembro e novembro, quando houve estabilidade em João Pessoa, Manaus e Aracaju; aumento no Rio de Janeiro (1,91%), Brasília (1,61%), Recife (1,55%), Natal (1,29%), Belo Horizonte (1,07%), Florianópolis (0,58%), Vitória (0,49%), Belém (0,25%) e São Paulo (0,10%). Nas demais cidades houve diminuição, com destaque para a taxa de Campo Grande (-1,40%)
O preço do arroz apresentou aumento em 17 cidades em 2014, com destaque para Aracaju (25,73%), Salvador (18,42%) e Curitiba (14,75%). Belém foi a única capital onde houve retração (-4,99%). Entre novembro e dezembro, início de período de entressafra, houve alta em 12 capitais, com destaque para Salvador (3,71%) e Manaus (3,40%). Houve estabilidade em João Pessoa e retração em Florianópolis (-3,83%), Aracaju (-0,92%), Natal (-0,77%) e Belém (-0,40%).
O café em pó foi outro produto que ficou mais caro em quase todas as localidades pesquisadas em 2014, exceto em Vitória (-1,65%). As altas mais expressivas aconteceram em Aracaju (21,80%), João Pessoa (16,71%), Goiânia (13,49%), Recife (11,46%) e Fortaleza (10,78%).
A farinha de mandioca também foi outro produto com maior oscilação de preço em Aracaju. Aracaju mostrou taxa positiva de 0,52%. O aumento da área da cultura devido aos bons preços nos anos anteriores fez crescer a oferta da raiz, o que pressionou para baixo a cotação. Entre novembro e dezembro, houve aumento do preço em Natal (7,87%), Fortaleza (7,48%) e Recife (1,47%); estabilidade em Belém e queda em Aracaju (-3,23%), João Pessoa (-2,65%), Manaus (-2,44%) e Salvador (-0,43%).
O óleo de soja apresentou diminuição em 17 cidades em 2014, incluindo Aracaju que teve expressiva queda no valor do produto, -0,34%. Em dezembro, houve redução em dez cidades, com variações de -5,13% em Aracaju a -0,33% em João Pessoa. Os maiores acréscimos foram registrados em Florianópolis (2,68%) e Salvador (2,44%).
O açúcar apresentou diminuição em 15 cidades no acumulado de 2014. As maiores quedas foram registradas nas capitais do Nordeste: Salvador (-16,67%), Aracaju (-15,03%) e Natal (-12,44%). As únicas altas aconteceram no Rio de Janeiro (2,33%), Vitória (1,99%) e Belo Horizonte (1,54%).
O preço do leite in natura diminuiu em 14 localidades em 2014, com variações acumuladas entre -12,46% (Natal) e -0,34% (São Paulo). As quatro cidades com elevação de valor foram Manaus (3,77%), Vitória (3,76%), Aracaju (3,50%) e Rio de Janeiro (2,53%).
Salário x cesta básica – Com base no custo apurado para a cesta básica no país, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.
Em dezembro de 2014, o salário necessário deveria ser de R$ 2.975,55 ou 4,11 vezes ao mínimo em vigor no período, que era de R$ 724,00. Em novembro, o valor mínimo necessário era menor, de R$ 2.923,22, ou 4,04 vezes o piso vigente. O valor também era mais baixo em dezembro de 2013, e correspondia a R$ 2.765,44, ou 4,08 vezes o mínimo da época (R$ 678,00). Em dezembro de 2013, o Dieese estimava que o menor salário pago no país deveria ser R$ 2.765,44, ou seja, quatro vezes o mínimo em vigor. Já em dezembro de 2012, o valor necessário para atender às despesas de uma família era de R$ 2.561,47.


